— Ela realmente não é. — respondeu Abel.
Léo virou-se e perguntou:
— Como o Diretor Rocha sabe que não? Vocês são muito próximos? Bons amigos?
Inês olhou de repente para Abel. Alice também o encarou fixamente, curiosa para saber o que ele diria.
Abel sentiu-se como se tivesse espinhos nas costas.
Mariana tinha acabado de dizer na frente do Sr. Franco que Julieta era sua namorada. Se agora ele dissesse ao Sr. Franco que Inês era sua esposa, o que o Sr. Franco pensaria dele? E como ele explicaria isso depois?
O Sr. Franco detinha várias patentes tecnológicas de ponta, cruciais para ele. Abel precisava de grandes projetos para consolidar sua posição atual.
Só lhe restava ser injusto com Inês.
Esperava que ela pudesse compreendê-lo.
— Sim. — Abel assentiu.
Léo ficou meio confuso. Precisava pensar tanto para dizer se eram bons amigos?
Julieta, surpresa, entrelaçou sua mão na de Abel bem na frente de Inês.
Inês viu e, mantendo a compostura, disse a Léo:
— É, amigos.
Ao ouvir Inês confirmar, Abel não sentiu alegria alguma; pelo contrário, sentiu subitamente um vazio no peito, como se faltasse um pedaço.
— Alice, você não disse que estava entediada? Vamos embora. — Inês olhou em direção à saída, os olhos baixos escondendo qualquer vestígio de emoção.
O coração de Abel contraiu-se novamente.
Ele instintivamente estendeu a mão para segurar Inês, mas Julieta segurava sua outra mão, e Mariana agarrou seu braço, puxando-o.
— Irmão, vamos para aquele lado, ali!
— Sr. Franco, vamos.
Abel viu Inês afastar-se dele sem lhe dar um único olhar.
No fim, ele foi atrás dela.
Na saída, Inês estava se curvando para entrar no carro de Alice. A Ferrari vermelha era deslumbrante e fazia a pele dela parecer ainda mais branca.
— Inês!
Abel chegou ao lado dela, ofegante.


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