Abel voltou ao coquetel, mas permaneceu distraído o tempo todo. Julieta o chamou várias vezes, e ele estava sempre com o pensamento longe.
Uns felizes, outros tristes.
Abel era o triste.
Rodrigo era o feliz. Ele recebeu uma mensagem da irmã dizendo que Inês já estava se livrando do sofrimento, que o divórcio já estava assinado e em andamento!
Rodrigo respondeu: [Você só soube agora?]
Parecia que ele estava se exibindo. Alice quase morreu de raiva. Ela agarrou o braço de Inês e disse:
— Inês, nós duas somos as melhores amigas do mundo, certo?
Inês não entendeu por que ela estava tão emburrada, mas não resistiu ao dengo da amiga e assentiu rapidamente:
— Certo.
— Meu irmão nunca vai ser melhor que eu, né?
Inês respondeu sem pensar:
— Claro.
O que o Diretor Simões tinha a ver com ela?
Atualmente era seu chefe, e se o Grupo Simões ganhasse a licitação, seriam apenas parceiros de negócios.
Alice ficou feliz ao ouvir isso e digitou uma resposta para se gabar, mas acabou não recebendo retorno.
Com certeza ele ficou irritado.
— Inês, você está com pressa de voltar? — Alice piscou para ela.
Inês perguntou:
— Por quê?
— Vamos comemorar! Comemorar seu divórcio daquele traste!
Inês ficou atônita por um momento. O vento de outono esfriava suas bochechas. Ela assentiu:
— É, merece uma comemoração.
Pelo menos foram apenas quatro anos.
Se fossem dez ou vinte anos, será que ela conseguiria sair a tempo como agora?
— Então deixa comigo, vou te levar a um lugar ótimo. — Alice dirigiu a Ferrari até um barzinho charmoso. Todas as noites havia música ao vivo; não era barulhento, pelo contrário, tinha uma atmosfera muito agradável.
Ela puxou Inês para uma mesa no segundo andar com uma vista privilegiada, que era seu lugar cativo.
— Vou te contar um segredo: na verdade, eu sou a dona deste bar.
— Inês.
A voz masculina veio pelo fone, vibrando em seu ouvido.
Ela esfregou a orelha e ouviu o homem perguntar friamente:
— Onde você está? Em um bar?
Inês fez uma pausa.
As perguntas do outro lado não paravam.
— Cadê a Alice?
— Ela te levou?
— É um bar qualquer ou aquele boteco que ela abriu escondida?
— Fala, Inês. — A voz do homem ficou visivelmente mais grave.
Só então Inês abriu a boca:
— Boteco.
— Não desliga. — Rodrigo colocou o fone de ouvido e dirigiu pessoalmente até o bar, que estava lotado.

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