Gustavo sabia que não podia esconder nada do filho:
— A Strip.
Assim que as palavras foram ditas, Alice até prendeu a respiração.
A Strip era a maior subsidiária de comércio exterior do Grupo Simões.
A família do primo planejava simplesmente monopolizar os direitos de comércio internacional do Grupo Simões.
O pai ainda não havia especificado o cargo, o que significava que queriam a posição de diretor-geral da Strip Internacional.
Rodrigo respondeu friamente com duas palavras:
— Nem sonhando.
— Se o Nelson quer um cargo de decisão na Strip Internacional, ele que mostre do que é capaz e venha negociar diretamente comigo.
Alice concordou repetidas vezes com a cabeça.
Dessa vez, Gustavo e a Sra. Paz permaneceram em silêncio. O Grupo Simões possuía inúmeras subsidiárias. Segundo o testamento antigo, as tias mais velhas recebiam dividendos, mas não participavam diretamente da administração. A família de Pedro também havia recebido ações, mas a questão sobre a participação na gestão da empresa havia ficado nebulosa, e o filho deles foi mandado para o exterior para estudar assim que atingiu a maioridade.
Havia muitas especulações sobre a veracidade desse "intercâmbio de estudos", mas querer assumir logo a espinha dorsal do comércio exterior do Grupo Simões ao retornar deixava claro que os estudos não passavam de uma fachada.
Rodrigo se levantou e olhou para os pais e a irmã:
— Amanhã às oito em ponto. Tomaremos o café da manhã juntos.
Na verdade, o horário normal do café da manhã da Família Simões era por volta das sete horas. Ele marcou às oito, obviamente, por causa de Alice, que era terrivelmente preguiçosa para acordar.
Alice sabia perfeitamente disso, então fez um bico e reclamou:
— Oito horas ainda é muito cedo.
Rodrigo lançou-lhe um olhar gelado:
— Não consegue acordar?
Alice mudou de tom na hora:
— Consigo! Consigo, sim!
Rodrigo voltou para o seu quarto.
Alice virou a cabeça imediatamente para os pais e disse:
— Tem alguma coisa rolando! Certeza absoluta! Meu irmão nunca fez questão de juntar a família toda para o café da manhã!
Gustavo e a Sra. Paz apenas sorriram, bastante ansiosos para a manhã seguinte.
No dia seguinte, às sete e cinquenta e cinco, Gustavo e a Sra. Paz desceram as escadas bem vestidos, indo em direção à sala de jantar.
Alice esfregava os olhos e bocejava. Ao notar que não havia nenhum sinal do seu irmão, colocou as mãos na cintura e exclamou:
— Cadê ele? Todo mundo já chegou, menos ele!
— Fazendo barraco a essa hora da manhã.
A voz do irmão mais velho soou atrás dela. Alice virou a cabeça e viu o irmão impecável em um terno, mas usando um avental? Com uma postura seriíssima, porém calçando luvas térmicas?
Rodrigo olhou para todos:
— Eu e a Inês estamos juntos agora.
— Nós sabemos. — Responderam os três.
— Não nos opusemos em momento algum. — Disseram em uníssono.
Rodrigo continuou:
— O fato de ela ter aceitado ficar comigo é, em grande parte, graças a vocês.
Alice soltou um suspiro de deboche, transbordando orgulho:
— Eu sei, eu sei. Nem precisava dizer, Inês gosta muito de mim.
— Sim. — Rodrigo assentiu.
Era raro o irmão mais velho não sentir ciúmes, o que deixou Alice surpresa.
Lembrando-se do que tinha visto na noite anterior, Rodrigo explicou:
— Inês fez uma lista. Dos sete motivos para ficar comigo, vocês representam um cada, o ambiente familiar conta como outro, totalizando quatro dos sete motivos.
Se qualquer um deles tivesse pisado na bola, era provável que Inês ainda estivesse indecisa.
Rodrigo disse num tom solene:
— Muito obrigado. Ainda bem que tenho vocês.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...