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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 921

Assim que ela terminou de falar, Soraia Siqueira cambaleou, batendo a lombar na mesa de oferendas. Frutas se espalharam pelo chão, e o barulho atraiu a atenção de toda a família Siqueira.

Soraia Siqueira ficou atônita.

Lucinda também ficou perplexa. Ela achava que ninguém jamais contaria algo assim para a pessoa envolvida, mas Inês realmente sabia?

Sendo assim, o retorno dela desta vez não era para prestar homenagens aos ancestrais, mas muito provavelmente por causa dos acontecimentos do passado.

Temendo que a fúria recaísse sobre si, Lucinda sentiu uma súbita vontade de ir embora.

— Por que está recuando? — Inês parou Lucinda de repente, desviando o olhar dela para Soraia Siqueira. — Uma mãe tão boa para você, uma mãe que você ama tanto, não deveria ajudá-la a se levantar numa hora dessas?

Lucinda paralisou.

O olhar de Inês parecia enxergar através de tudo.

Ela se aproximou calmamente para amparar a mãe, sussurrando em seu ouvido:

— Todos estão olhando. Aqui é a capela da família, não a nossa casa. Mãe, por favor, tente se acalmar, sim?

Se soubesse que ela perderia o controle com tanta facilidade, teria dado a medicação real para Antônia administrar à mãe no dia anterior. Bastava uma pequena faísca para causar uma grande explosão; ela estava mesmo gravemente doente.

Soraia Siqueira observava os pares de olhos voltados para ela, sentindo-se como se tivesse retornado ao período logo após seu casamento, quando todos os olhos da família Siqueira fitavam sua barriga, assim como os de sua própria família materna.

Cada olhar era sombrio e opressivo.

Soraia Siqueira tremia. Enquanto murmurava que estava bem e tentava a todo custo se acalmar, advertindo a si mesma de que não poderia causar uma cena em uma ocasião tão importante, algo inesperado ocorreu.

Inês levantou-se repentinamente, segurando três varetas de incenso recém-acesas, e as estendeu diante de Soraia Siqueira:

— No Dia de Finados, ao homenagear os ancestrais, você não tem nada a confessar diante deles? Por exemplo, sobre como você, há vinte e oito anos...

— Inês! — O Patriarca correu, amparado por outros, para intervir. Ofegante, felizmente conseguiu impedir que Inês terminasse a frase.

Beatriz Siqueira, que segurava Bia, apertou os braços instintivamente, machucando a filha. Bia se contorceu e reclamou que a mãe a estava machucando. Beatriz não reagiu de imediato, afrouxando o abraço apenas quando o marido a alertou.

Bia estendeu os braços para envolver o pescoço do pai, com seus grandes olhos escuros observando todas aquelas pessoas imóveis, e perguntou com curiosidade:

— Estamos brincando de estátua?

O pai respondeu que não, pedindo que ela se comportasse e ficasse quieta por um momento. Bia, resignada, tapou a própria boca com as mãos, mas de repente notou que os olhos da mãe estavam marejados.

Antes, Beatriz Siqueira achava que Inês não ter crescido na família Siqueira até que fora uma coisa boa. Ter sido trocada na maternidade talvez fosse um caminho diferente que o destino escolhera para ela, mas como ela poderia ter sido abandonada?

Sua própria mãe suportou o desprezo dos sogros e a frieza do marido, mas nunca sequer pensou em abandoná-la. Pelo contrário, dizia que Beatriz era preciosa, que seu nome significava "belo jade", e que ela era uma joia linda que todos amavam.

Tanto que, mesmo após a morte da mãe e diante das adversidades que enfrentava na família Siqueira, lembrar daquelas palavras sempre lhe trazia conforto.

Quando era pequena, sua tia Soraia Siqueira costumava se preocupar com ela, cuidava dela e aparentemente não rejeitava meninas. Como poderia... como Inês poderia ter sido abandonada?

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