Entrar Via

Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 938

As pernas de Lucinda esbarraram no banquinho, provocando um barulho estridente e evidenciando a perturbação e a sua imensa culpa.

— Ao que parece, você tinha conhecimento disso... — Suas mãos transformaram-se em punhos cerrados. Fuzilou-a com os olhos em chamas, quase explodindo. — E ainda assim agiu de forma desprezível!

BAM!

O banquinho foi chutado brutalmente para longe, a centímetros de distância de Lucinda.

O imenso estrondo abriu caminho para os médicos e enfermeiras e rompeu os torpores do sono de Soraia.

Vendo o corpo se agitar no leito, a reação imediata foi naturalmente priorizar a paciente.

Lucinda, porém, sentiu as pernas falharem pelo imenso terror, postando-se como estátua ali, a face lavada de palidez mortal.

Ele tinha pegado a infecção?

Eles não tinham acabado de terminar?

Como e por que ele estaria infectado?

Ela tinha ponderado no momento e não falhou em entregar os avisos em alto e bom som a Julieta.

— Douglas... — Soraia sentiu a alma preencher-se e acalmar-se ao captar o filho entre as enfermeiras; não o seu filho qualquer, aquele que ela criara e devotara, o qual nunca lhe negligenciava, por fim tinha retornado para lhe fazer companhia.

Somente um filho não a desapontaria.

Acatando o lamento dolorido e comovido de sua mãe, Douglas interrompeu a guerra no olhar de ódio rumo a Lucinda e abrandou o fechar duro das mãos em fúria, contornando as equipes até tocar o lado da cama.

Não deveria mover o corpo desgovernadamente devido ao tubo no dorso da sua mão magricela e gélida; Soraia não ouviu qualquer recomendação, movendo o punho atrelado a tubulações plásticas, agarrando-se a Douglas com fúria. Apenas um filho que lhe restara; só este ser de todo o mundo. A este seu ente especial havia concedido imensurável energia ao decorrer da vida.

Mas com precisão apaziguadora, Douglas devolveu as suas fragilizadas mãos por cima do colchão imaculadamente branco.

Se o Robson desejava abraçar escassos 30% das finanças milionárias, legando os exorbitantes 70% sob propriedade perpétua da esposa, nenhum juízo de valor condenaria os atos como menos caridosos e nobres; Robson, apesar do caos e dor, honrou a sua benevolência na partilha justa perante a face das tragédias matrimoniais.

Num cicio inaudível, interpelou Lucinda: — Irmão, faz favor de ir contra isso na frente do nosso pai... uma coisa dessas é amargo o bastante para machucar nossa mãe para o que sobrar de sua vida inteira. É terrível de aguentar!

Soraia de pálpebras entumescidas, fitando-a numa poça vermelha no fundo dos olhos, ofereceu sua destra agarrando o amparo da jovem à borda da mobília medicinal de aço. Seu rebento carnal e a rebenta enxertada no colo em compasso a reabilitando de dor faziam-na relaxar uma modesta quantia.

Entretanto, as questões do término conjugal deixaram o recinto do quarto vazio: Douglas fulminou os lamentos com uma repreensão áspera: — Você é tão surda assim pro papo do papai ou com o meu?! Te cobrei já quantas mil vezes: muda de forma ao abrir a sua bocarra a mim!

Só os menores rastros de presença de Lucinda faziam lhe subir sangue na cabeça.

Constatando as extremidades tremelicarem da mão acolhida contra a dela, Soraia emitiu o primeiro ralho para seu garoto: — Douglas, mas que modos! Como é que fala sem o menor pingo de consideração perante à tua pequena irmã?!

— Porque me recuso a reconhecê-la como tal! — O filho bufou de indignação. Despertando atenção maternal esbravejou: — Não vai me contar agora mãe, que desconhecia esse poço apodrecido sobre todos os desarranjos e crueldades em cada pontada dela?!

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim