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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 937

Douglas olhava para a pessoa de rosto limpo e olhar ligeiramente temeroso à sua frente, enquanto pensava consigo mesmo: "E que peça de teatro é essa agora?"

— Irmão, você voltou...

— Eu não te disse? Pare de me chamar de irmão, isso é um fardo muito pesado para mim. — Douglas lançou-lhe um olhar frio, passou reto por Lucinda e caminhou em direção à cama da mãe.

Lucinda ficou plantada onde estava, com os lábios pálidos.

Um afeto cultivado por vinte e oito longos anos não superava o vínculo consanguíneo, afinal?

Ela olhou para trás, vendo Douglas chegar à beira da cama e pegar o prontuário da mãe, para então fechar a porta lentamente.

Estava prestes a dar uma atualização sobre o estado da mãe quando foi novamente interrompida.

— Eu sei ler sozinho, não preciso que você me diga nada. — Douglas, conhecendo perfeitamente a lábia de Lucinda de torcer os fatos, preferiu poupar os ouvidos de continuar escutando aquela irritação.

Douglas encarou a mãe na cama do hospital, com o corpo emagrecido, maquiagem borrada pelas lágrimas e uma expressão abatida, longe da sofisticação e nobreza da rica senhora que outrora exibia.

Tratava-se de sua mãe; por pior que fossem as desavenças, o sangue não se anula. Evidente que estava angustiado, mas ao pensar em todas as artimanhas praticadas por ela, sentiu o coração gelando mais uma vez.

Abandonara a própria filha há vinte e oito anos; confinara o próprio marido quase trinta anos depois.

Por quem estaria fazendo tudo aquilo?

Para o bem deles ou para o bem dela própria?

Douglas olhou para a mãe com o cenho franzido durante muito tempo. Pegou o prontuário para conversar com os médicos e retornou após obter respostas. Em diversas ocasiões, Lucinda tentou chamar sua atenção e puxar assunto, todas frustradas pelo completo desprezo.

Uma mágoa instalou-se no fundo da alma de Lucinda, sem entender os motivos de ter chegado ao fundo do poço.

Ela lançava frequentes olhares furtivos ao relógio, aguardando que batesse as dez horas da noite. Queria ver se aquele irmão seria verdadeiramente tão impiedoso a ponto de virar as costas para ela.

Na última vez, quando Inês voltara à família Siqueira, ela havia se desentendido com ele. Após desmaiar e ir parar no hospital, ele ainda tinha ido visitá-la e mostrado preocupação.

Lembrá-la de ir para a cama às dez horas era um hábito da família Siqueira que durava mais de vinte anos.

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