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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 958

Ruslan mudou a estratégia de imobilização. Agarrou Soraia Siqueira pelo ombro, apertando a faca perigosamente na região lombar da mulher.

Lucinda Siqueira, Ruslan e a prisioneira esgueiraram-se para o banco traseiro de um sedan escuro.

Robson Siqueira encarregou-se da direção. Ordenou que nenhum homem entrasse na carona, selando o veto com severidade até mesmo para Douglas Siqueira.

Douglas emparedou a angústia nas próprias mãos, estourando as juntas, enquanto o desespero injetava sangue no olhar.

Um disparo visual de reprimenda letal emanou dos olhos de Lucinda em direção ao irmão. Como mágica perversa, Ruslan arrastou a arma cortante até repousar na lateral do pescoço pálido da refém, apertando brutalmente contra a pele.

Transpirando pânico gélido, as pupilas de Soraia agigantaram-se de horror; o rasgo na garganta floresceu uma gota escarlate de dor viva.

Lançando um olhar assassino de volta à ex-irmã, Douglas engoliu o ódio cru ao ser forçado a testemunar as engrenagens do carro tragarem seu sangue e sua honra rumo às sombras da noite.

Dentro do veículo...

Pelos labirintos ópticos do retrovisor, os olhos de Robson capturaram os traços da filha:

— Água. Não temos alternativas; as estradas devem estar seladas de ferro e pólvora. É sua última carta, mas a viagem será tortuosa e excruciante...

— Poupe as falsas preocupações. Seu desespero cego mora apenas na alma de Inês Jardim. Esses doces avisos não reduzirão a minha cautela contra a sua astúcia. — As feições e os sorrisos esguios da mulher pereceram engolidos na penumbra, poupando da morte ótica apenas o ódio peçonhento em suas pupilas.

Descartando a troca de alfinetadas, Robson sepultou a conversa e direcionou o acelerador à rodovia expressa suspensa sobre o concreto e o asfalto.

As margens náuticas mais imediatas ancoravam apenas na cidade vizinha, exigindo uma longa maratona noturna sob os faróis amarelados da metrópole em ruínas e dormência.

Nessa fração temporal idêntica...

Envoltos na densa escuridão das docas, Inês Jardim e Rodrigo Simões perfuravam com o olhar a caçada no radar do tablet, contemplando o espectro vermelho arrastar-se com uma proximidade crescente.

— Não tema. — sussurrou o homem. No exato fragmento de tempo em que as palavras de acolhimento transpunham os lábios pálidos e amáveis dele e enlaçavam os ombros da noiva, a linha de comunicação berrou a chamada desesperada de Douglas Siqueira: a roda da carruagem fugitiva repousava nos dedos paternos de Robson Siqueira!

Os cenhos de Inês amarraram-se quase ao mesmo tempo com um calafrio e espasmo mental.

— Ela desconfia da própria sombra. Até contra o velho, mantém as defesas prontas para fuzilar! Lucinda arrastou consigo um capanga para as vias de escape, com cheiro e rastro de mercenário sanguinário... Sinto que algo vai rachar e derramar sangue; não engulo essa calmaria. Estou enfiando o pé no acelerador e varrendo as pistas à caça. — O alerta nervoso ricocheteou pelas pontes digitais do alto-falante.

Ao ser chicoteado pelas menções aos cães de guerra do mercado negro, um tremor minúsculo abalou as sobrancelhas impecáveis de Rodrigo, e ele congelou os próprios avisos:

— Fique nas sombras, mantenha distância!

Os olhos de Inês fixaram-se na silhueta austera do noivo, e os dígitos gélidos dela repousaram para enlaçar frestas nas mãos viris do rapaz.

A blindagem escura deles se atirou faminta ao rastro.

Até os ponteiros emparelharem; e com as feras de lata emparelhadas, ambas deviam fundir trajetos.

Contudo... A colisão óptica fuzilou uma conclusão estarrecedora: a carroceria e os assentos visíveis transbordavam de estranhos. Atrás dos vidros arriados não residia nenhum traço paterno dos Siqueira, a face atrás das luzes brilhantes, pilotando os giros do volante era desconhecida e brutalmente anônima.

O espasmo espremeu as vias cardíacas de Inês Jardim.

Um rangido demoníaco na estrutura de couro assinalou o retorno brusco; varrendo toda a potência mecânica do chassi, Rodrigo arrastou e atirou sua besta metálica em caçada impiedosa contra a viatura paralela.

Uma colisão brusca da blindagem espancou as molas dos eixos; eles emparedaram e trituraram o trajeto da viatura em uma gaiola na calçada, selando a rota fugitiva no piche!

Saltando às vísceras do escuro violento e abrindo brutalmente a estrutura oponente da porta alheia, Inês soltou os brados:

— QUEM DIABOS É VOCÊ? CADÊ O MOTORISTA ORIGINAL DESSA COISA?! O DONO DO CARRO ONDE FOI PARAR?

Com um semblante embasbacado, atirado nas muralhas do medo imprevisto, o rosto abobado cravado em pasmo e tremedeira sibilou nos tremores:

— Senhora, mas... eu sou só o motorista de aplicativo...

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