Rodrigo Simões não se surpreendeu muito ao descobrir que o homem no assento do motorista fora inexplicavelmente substituído por um profissional de aplicativo, e que tanto os bancos traseiros quanto o porta-malas estavam completamente vazios.
No momento em que Douglas Siqueira mencionou a probabilidade do comparsa de Lucinda Siqueira ser um mercenário, ele já previra que as coisas não seriam tão simples.
Inês Jardim paralisou por um instante, mas logo recuperou a presença de espírito.
Lucinda sofria de problemas de saúde, não de deficiência mental. Quando a Família Siqueira a descartou e o mandado de prisão foi emitido, ela já arquitetava as próprias rotas de fuga; restava saber se conseguiria colocá-las em prática.
Criada no berço da Família Siqueira, ela tivera acesso a contatos e recursos fora do alcance das pessoas comuns. Nesta era de avanços tecnológicos vertiginosos, o verdadeiro fosso entre as pessoas residia na assimetria de informações — na rapidez e nos canais de acesso a essas informações.
Inês e Rodrigo trocaram um olhar silencioso e imediatamente retransmitiram a atualização aos próprios subordinados e à polícia.
Logo em seguida, o carro de Douglas estacionou próximo a eles. O rapaz desceu, dando passadas largas, e, com a testa franzida, primeiro avaliou o sedan discreto providenciado pelo pai — agora vazio —, para então direcionar-se à dupla de rostos tensos e perguntar:
— O que aconteceu? Onde eles estão?
Rodrigo não se deu ao trabalho de responder. Nem ele mesmo compreendia que espécie de perseguição Douglas andara fazendo, falhando em notar uma troca de motoristas em plena noite, permitindo que quatro pessoas sumissem como fumaça.
— Lucinda trocou de carro. — Inês encarou Douglas Siqueira. — Você não viu quando trocaram de veículo?
Com as sobrancelhas ainda tensas, Douglas respondeu:
— Eu os perdi num cruzamento. Dei uma volta inteira antes de avistá-los novamente.
Rodrigo exigiu saber o nome do cruzamento.
Assim que Douglas forneceu o nome, Rodrigo fez uma ligação, ordenando a varredura completa em todas as câmeras de segurança da área.
Inesperadamente, Rodrigo disparou contra Douglas:
— O que você acha que ela fará?
Os lábios do herdeiro entreabriram-se, mas o som morreu em sua garganta.
Ele não tinha a menor ideia. Não conhecia Lucinda, de fato; se a compreendesse, não teria sido cego e ludibriado por tanto tempo, culminando com o choque visceral ao testemunhar a mulher prensando uma faca contra a traqueia da própria mãe.
Seu pai, por outro lado, demonstrara uma calma de gelo.
Entretanto, Robson Siqueira não estava ali, e os canais de contato haviam sido corrompidos.
Perscrutando as trevas sem fim, Inês dirigiu-se a Rodrigo:
Trocando análises como peças de um quebra-cabeça ensanguentado, a dupla forjou a própria solução em minutos.
Incapaz de inserir uma frase útil no raciocínio frenético, Douglas Siqueira admitia a força e coerência do raciocínio, porém questionou:
— O sul... não seria distante demais? Terão que parar para dormir, reabastecer a máquina de locomoção, e fazer trocas pelo caminho. O grau de risco atinge os céus.
Inês e Rodrigo concordaram em parte; no entanto, o desespero e a fúria eram meras armadilhas emocionais naquele cenário insalubre. As suposições foram empacotadas em arquivos emergenciais e passadas às garras do departamento de polícia.
Para derrubar criminosos do calibre de Lucinda Siqueira, que fugiam munidos de reforços bélicos e usando dois corpos humanos como escudos, a única âncora factível residia na teia de rastreamento absoluto das autoridades de segurança pública.
O fogo consumia as artérias de Douglas:
— A vida do meu pai e da minha mãe balança na navalha das mãos dela!
— Sua histeria resolve algum buraco? Tudo isso é fruto da abominação e do afeto de estimação que vocês nutriram durante décadas! — açoitou Rodrigo, banhado em crueldade verbal.
A estocada atravessou a laringe de Douglas.
Rodrigo atraiu Inês aos braços. Suas palmas calejadas aqueceram suavemente o material que protegia a garota, num medo absurdo do orvalho invernal, ignorando completamente que a roupa e os agasalhos dela já afugentavam o relento impiedoso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Pra que um livro tão longo? É muito cansativo. Estou no capítulo 244 só agora ela foi revelada, para mim o livro só teria mais o envolvimento dela com o Rodrigo e acabaria ai, mas não, tem que passar de mil capítulos....
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...