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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 963

No meio da noite, Rodrigo Simões foi despertado por uma ligação. Enquanto ele se levantava, Inês, que estava em seus braços, também abriu os olhos lentamente e sentou-se.

— Não conseguiu dormir? — Rodrigo estendeu a mão para ajeitar os cabelos ligeiramente bagunçados de Inês antes de atender o telefone. A pessoa do outro lado informou que Lucinda havia sido encontrada.

Ao desligar, Rodrigo notou que Inês já havia saído da cama e vestido o casaco, observando-o com olhos atentos.

Rodrigo saiu da cama e afagou a nuca dela:

— Eles a encontraram. Vamos para lá agora.

Inês segurou a mão dele e eles saíram do quarto do hotel. A porta do quarto ao lado também se abriu; era Douglas.

Após prever que havia uma grande chance de Lucinda tentar escapar em direção à fronteira sul, nenhum deles retornou à Cidade Balma. Eles se acomodaram em um hotel local, esperando por notícias do paradeiro de Lucinda.

Ao receber a notícia, era óbvio que se dirigiriam até lá imediatamente. Para Douglas, como filho cujos pais biológicos estavam nas mãos de criminosos, era mais do que natural ir. Mas no caso de Inês e Rodrigo...

Embora Inês tivesse voltado para a Família Siqueira e já tivesse chamado seus parentes de tio e tia, ela nunca chamara Robson e Soraia de pai e mãe, nem Douglas de irmão.

Douglas pareceu um tanto surpreso ao ver Inês saindo do quarto. Ele quis dizer algo, mas acabou se contendo.

Os três entraram nos respectivos carros. Rodrigo enviou uma mensagem a Adrian Soares, pedindo-lhe que se apressasse e fosse para lá.

Em seguida, os dois carros partiram em direção à fábrica abandonada nos arredores, enquanto continuavam a ouvir atualizações.

Lucinda atropelou alguns policiais em sua fuga, mas não conseguiu escapar do cerco armado por um grande contingente que chegou em seguida. Agora, eles mantinham um refém e tentavam negociar.

A refém era Soraia.

Robson não estava à vista.

Quando o trio chegou, o vento frio soprou pelo local. A noite silenciosa estava repleta do som das folhas e dos rangidos da fábrica abandonada a poucos metros, que parecia estar prestes a desmoronar.

Rodrigo virou-se um pouco para proteger Inês do vento e da areia, abraçando sua cintura enquanto voltava a observar Lucinda e o comparsa, que estavam bloqueados pela polícia, sem lugar para se esconder sob a luz intensa dos faróis.

Perto do carro enlameado, de cor quase indistinguível, um estrangeiro imponente mantinha uma adaga afiada encostada no pescoço de Soraia.

Lucinda estava ao lado, inicialmente encarando o capitão da equipe policial, mas ao ver Douglas, gritou:

— Inês, você também veio! Veio pela sua mãe? Acho que não. Veio pelo seu pai, não foi? Eu sei que você não se importa com a mulher que a abandonou, mas e ele? Peça para Rodrigo preparar um barco para mim. Assim que eu for embora em segurança, eu o devolvo para você.

— Suas ameaças não me atingem. — respondeu Inês.

A risada de Lucinda tornou-se ainda mais desdenhosa, mas sumiu no segundo seguinte, enquanto um olhar sinistro recaía sobre o rosto de Inês:

— Então o que você está fazendo aqui?

Inês disse:

— Vim ver qual será o fim das pessoas que me magoaram.

A expressão de Lucinda congelou momentaneamente.

Todos os presentes ali, exceto Rodrigo e os policiais, haviam ferido Inês de alguma forma.

A mãe de Inês a havia abandonado. O pai, na época, não a escolhera com firmeza. Seu irmão a havia humilhado, e ela, Lucinda, fora ainda mais cruel, instigando Julieta Lima a tentar assassiná-la.

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