Ruslan avisou Lucinda:
— Não deixe isso virar um impasse! Exija um barco. Agora mesmo!
Sua adaga arranhou um pouco mais o pescoço de Soraia, aprofundando o ferimento, e mais sangue escorreu.
As pernas de Soraia cederam, e ela acenou desesperadamente, suplicando-lhes que concordassem.
Lucinda gritou:
— Eu quero um barco! E quero partir em total segurança!
Com os olhos vermelhos de ira, ela cravou a ponta da faca de frutas na pele de Soraia. Não era um corte profundo, mas, para Soraia, significou uma dor e tortura físicas e emocionais.
Aquela era a filha que ela amara incondicionalmente por mais de vinte anos.
Aquela que tramou o assassinato de Inês, prejudicou o irmão e agora sequestrara os próprios pais.
A garganta de Soraia estava quase seca e ardia, mas não importava o quanto tentasse, nenhum som escapava. Essa agonia silenciosa resultou em uma frustração e sofrimento inigualáveis.
Seu corpo estava prestes a desabar, sustentado apenas por Ruslan, que a carregava com a facilidade de quem segura um brinquedo, enquanto deslizava levemente a lâmina da adaga de um lado para o outro em seu pescoço.
Doía.
Doía muito.
Com os dois lados em um impasse, Ruslan, perspicaz, notou que os policiais pareciam sussurrar nos comunicadores. Prevendo a presença de atiradores de elite, ele puxou Soraia um pouco mais para cima, usando-a como escudo humano.
O policial que liderava a operação franziu a testa, concordando calmamente, mas sob a condição de saberem onde estava o outro refém.
Os policiais deram um passo atrás, simulando uma concessão.
Lucinda gritou de volta:
— Vocês entenderam tudo errado! Quando vocês me derem o barco, eu direi onde ele está!
Enquanto os policiais tentavam mobilizar recursos para conseguir um barco, Rodrigo falou calmamente:
— Eu cuidarei do barco.
Ruslan disse a Lucinda:
— Exija uma lancha.
Lucinda repetiu o comando de Ruslan para Rodrigo.
Rodrigo fez uma ligação ordenando que uma lancha fosse enviada a uma doca próxima. Não demorou muito para que estivesse tudo pronto.
Ruslan empurrou Soraia de volta para o carro e Lucinda ocupou novamente o banco do motorista. Ela ligou o farol alto, pronta para dirigir até a Doca.
Douglas estava desesperado.
Inês observou o carro de Lucinda se dirigir à Doca. Gotas de sangue marcavam o caminho por onde o veículo passou.
— Eu sei!
Ruslan assumiu o controle da lancha, rasgando o mar sob a tempestade. A chuva forte acordou Robson.
Rodrigo e Inês haviam embarcado em um iate, e Douglas tinha ido com eles. Ele se aproximou e perguntou:
— Rodrigo, pelo que te conheço, o fato de a lancha deles não ter problemas é o maior dos problemas, não é?
Inês também olhou para Rodrigo.
Sempre perdendo a paciência ao conversar com Douglas, Rodrigo simplesmente o ignorou e não respondeu à sua pergunta.
Douglas, não se ofendendo, perguntou novamente:
— Você tem certeza do que está fazendo?
Mais uma vez, ele foi deixado sem resposta. Douglas então depositou suas esperanças em Inês, falando em um tom suave:
— Inês, pode perguntar a ele se tem certeza?
— Não vou perguntar. — respondeu Inês. — É você quem não confia nele, não eu.
Douglas ficou engasgado, olhando para Inês com tristeza:
— Você não se importa nem um pouco com a segurança do nosso pai?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Pra que um livro tão longo? É muito cansativo. Estou no capítulo 244 só agora ela foi revelada, para mim o livro só teria mais o envolvimento dela com o Rodrigo e acabaria ai, mas não, tem que passar de mil capítulos....
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...