Afonso abriu a boca várias vezes, sem saber como refutar.
Desde o princípio, a Família Siqueira não conseguia controlar Inês; na verdade, era a família que precisava dela.
No passado, conseguiam manter Robson sob controle, mas Soraia e Lucinda foram tão cruéis que empurraram Robson à beira de uma rebelião pura e simples. Agora, qualquer apelo emocional ou argumento racional era inútil.
Pai e filha estavam unidos contra um inimigo comum.
Robson falou para Afonso:
— A instigação ao assassinato e o sequestro por parte da Lucinda são fatos incontestáveis. Em vez de virem aqui tentar um acordo, seria muito mais prático pensarem em como a Família Siqueira lidará com a crise que se aproxima.
Afonso havia chegado de cabeça baixa e partiu de maneira igualmente lamentável.
O silêncio reinou novamente no quarto do hospital. Robson pegou a tigela de canja da mesa, mexendo lentamente com a colher e disse:
— Obrigado por falar por mim agora há pouco.
A mão de Inês, que segurava o copo d'água, hesitou:
— Eu apenas fiz com que a Família Siqueira enxergasse a realidade.
— Tudo bem. — Robson bebeu a sopa e calou-se, receoso de deixá-la desconfortável.
Ele quis sugerir que Inês fosse para casa descansar, mas a presença tranquila dela no quarto trazia-lhe uma imensa sensação de conforto, e as palavras simplesmente não saíram.
Inês olhava de vez em quando para o celular, respondendo algumas mensagens sem falar muito. Ela também não sabia o que dizer, preferindo apenas ficar ali à espera de que Rodrigo terminasse seus afazeres e viesse ao seu encontro.
Pai e filha permaneceram no mesmo espaço sem interromper o silêncio um do outro, até que batidas soaram novamente na porta do quarto.
Inês levantou-se para abrir a porta. Do lado de fora estavam Sônia Barros, seu filho, a nora e o neto, com a notável ausência de Guilherme.
Sônia justificou que Guilherme estava assoberbado com o trabalho e viria ver o irmão mais tarde, mas todos perceberam tratar-se de uma mera desculpa.
Gabriel, talvez por ter levado um sermão prévio, comportava-se exemplarmente. Chamou Inês de tia, cumprimentou Robson como tio-avô e perguntou delicadamente se ele ainda sentia dor.
Problemas de adultos nada tinham a ver com crianças. Robson afagou a cabeça de Gabriel, garantindo que não estava mais doendo, e, em seguida, voltou-se para Sônia, o sobrinho e a sobrinha, convidando-os a se sentarem.
Sônia disse:
— Viemos apenas ver como estão seus ferimentos. Ver que consegue se sentar, conversar e tomar sopa nos tranquiliza bastante. Você precisa repousar; não demoraremos muito.
Robson sorriu, afinal, sempre tratava os outros com generosidade.
Antônia tremeu da cabeça aos pés ao se deparar com o interrogatório gelado e perscrutador de Douglas, quase caindo de joelhos ali mesmo.
— Eu, eu, eu... — Antônia gaguejava, tomada pelo pânico e com um medo visível no olhar, sem conseguir formular uma frase.
Os outros empregados olharam para ela. Alguém comentou sobre como ela perguntara sobre o local de entrega das refeições, um testemunho que quase soava como uma denúncia formal.
Douglas contatou os seguranças e ordenou que levassem Antônia à polícia. Ela implorava ininterruptamente por clemência, clamando que desconhecia de tudo, sendo apenas mais uma ludibriada pela senhorita!
Douglas recomendou-lhe que poupasse aquelas explicações para os policiais.
E a partir dessa investigação, outro detalhe veio à luz.
Os medicamentos diários de Soraia.
As pílulas passavam por três pessoas: o médico, Soraia e Lucinda.
Antônia relatou também que Lucinda costumava telefonar todos os dias, sem falta, para lembrá-la de servir a água e o remédio à senhora.
Douglas já desconfiava da falsificação. A análise farmacológica dos comprimidos revelara vestígios de toxinas perigosas. Seu consumo prolongado certamente resultaria em danos neurológicos irreversíveis.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Pra que um livro tão longo? É muito cansativo. Estou no capítulo 244 só agora ela foi revelada, para mim o livro só teria mais o envolvimento dela com o Rodrigo e acabaria ai, mas não, tem que passar de mil capítulos....
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...