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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 973

Afonso abriu a boca várias vezes, sem saber como refutar.

Desde o princípio, a Família Siqueira não conseguia controlar Inês; na verdade, era a família que precisava dela.

No passado, conseguiam manter Robson sob controle, mas Soraia e Lucinda foram tão cruéis que empurraram Robson à beira de uma rebelião pura e simples. Agora, qualquer apelo emocional ou argumento racional era inútil.

Pai e filha estavam unidos contra um inimigo comum.

Robson falou para Afonso:

— A instigação ao assassinato e o sequestro por parte da Lucinda são fatos incontestáveis. Em vez de virem aqui tentar um acordo, seria muito mais prático pensarem em como a Família Siqueira lidará com a crise que se aproxima.

Afonso havia chegado de cabeça baixa e partiu de maneira igualmente lamentável.

O silêncio reinou novamente no quarto do hospital. Robson pegou a tigela de canja da mesa, mexendo lentamente com a colher e disse:

— Obrigado por falar por mim agora há pouco.

A mão de Inês, que segurava o copo d'água, hesitou:

— Eu apenas fiz com que a Família Siqueira enxergasse a realidade.

— Tudo bem. — Robson bebeu a sopa e calou-se, receoso de deixá-la desconfortável.

Ele quis sugerir que Inês fosse para casa descansar, mas a presença tranquila dela no quarto trazia-lhe uma imensa sensação de conforto, e as palavras simplesmente não saíram.

Inês olhava de vez em quando para o celular, respondendo algumas mensagens sem falar muito. Ela também não sabia o que dizer, preferindo apenas ficar ali à espera de que Rodrigo terminasse seus afazeres e viesse ao seu encontro.

Pai e filha permaneceram no mesmo espaço sem interromper o silêncio um do outro, até que batidas soaram novamente na porta do quarto.

Inês levantou-se para abrir a porta. Do lado de fora estavam Sônia Barros, seu filho, a nora e o neto, com a notável ausência de Guilherme.

Sônia justificou que Guilherme estava assoberbado com o trabalho e viria ver o irmão mais tarde, mas todos perceberam tratar-se de uma mera desculpa.

Gabriel, talvez por ter levado um sermão prévio, comportava-se exemplarmente. Chamou Inês de tia, cumprimentou Robson como tio-avô e perguntou delicadamente se ele ainda sentia dor.

Problemas de adultos nada tinham a ver com crianças. Robson afagou a cabeça de Gabriel, garantindo que não estava mais doendo, e, em seguida, voltou-se para Sônia, o sobrinho e a sobrinha, convidando-os a se sentarem.

Sônia disse:

— Viemos apenas ver como estão seus ferimentos. Ver que consegue se sentar, conversar e tomar sopa nos tranquiliza bastante. Você precisa repousar; não demoraremos muito.

Robson sorriu, afinal, sempre tratava os outros com generosidade.

Antônia tremeu da cabeça aos pés ao se deparar com o interrogatório gelado e perscrutador de Douglas, quase caindo de joelhos ali mesmo.

— Eu, eu, eu... — Antônia gaguejava, tomada pelo pânico e com um medo visível no olhar, sem conseguir formular uma frase.

Os outros empregados olharam para ela. Alguém comentou sobre como ela perguntara sobre o local de entrega das refeições, um testemunho que quase soava como uma denúncia formal.

Douglas contatou os seguranças e ordenou que levassem Antônia à polícia. Ela implorava ininterruptamente por clemência, clamando que desconhecia de tudo, sendo apenas mais uma ludibriada pela senhorita!

Douglas recomendou-lhe que poupasse aquelas explicações para os policiais.

E a partir dessa investigação, outro detalhe veio à luz.

Os medicamentos diários de Soraia.

As pílulas passavam por três pessoas: o médico, Soraia e Lucinda.

Antônia relatou também que Lucinda costumava telefonar todos os dias, sem falta, para lembrá-la de servir a água e o remédio à senhora.

Douglas já desconfiava da falsificação. A análise farmacológica dos comprimidos revelara vestígios de toxinas perigosas. Seu consumo prolongado certamente resultaria em danos neurológicos irreversíveis.

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