Depois de resolver tudo em relação à mãe, Douglas abriu um guarda-chuva preto e saiu da Clínica de Repouso. Sem olhar para trás, ele entrou no carro, mantendo o olhar fixo para a frente.
Pelo espelho retrovisor, o motorista notou que os olhos do Senhor Douglas estavam vermelhos.
— Senhor Douglas, para onde vamos? — Como motorista da Família Siqueira, ele estava ciente de todos os acontecimentos recentes. O jovem não queria voltar para casa. Não se sabia ao certo se a febre do rapaz já havia cedido por completo, e o patrão permanecia internado no hospital.
Com a voz embargada, Douglas respondeu:
— Hospital.
— Certo. — O motorista conduziu o carro até o hospital. Como estava chovendo sem parar ultimamente, o céu começou a escurecer antes mesmo das seis horas.
Douglas encontrou Rodrigo, que havia chegado ao hospital depois de terminar seus compromissos. Os dois se entreolharam, mantendo o silêncio, e prosseguiram em direção ao prédio onde os pacientes ficavam internados, caminhando um atrás do outro.
No mesmo elevador, os dois homens se encontravam lado a lado.
Douglas agradeceu, com a voz embargada:
— Muito obrigado.
Com o canto do olho, Rodrigo observou-o de relance sem emitir resposta. As portas se abriram e ele deu um longo passo, afastando-se do lugar onde estava Douglas.
A presença de Rodrigo por lá indicava que Inês ainda estava presente. Consequentemente, Douglas resolveu não incomodá-los, procurando uma enfermeira para aferir a própria temperatura, descobrindo que a febre passara.
Em seguida, ele faria um check-up médico.
Pois o momento de reavaliação médica havia chegado.
A ausência de tensão o consumia em relação àquela reavaliação. Já estava antecipadamente moldado para o pior cenário possível.
Sentado de modo desolado na cadeira, com a cabeça pendendo levemente, a voz melódica e suave subitamente ressoou sobre sua cabeça.
— Douglas, o que faz sozinho por aqui?
O foco da visão de Douglas firmou-se lentamente e, logo a princípio, ele avistou o tom verde menta; tanto no vestido quanto nos sapatos.
O laço de borboleta emoldurando o calçado plano, cujo formato parecia assemelhar-se a uma sapatilha de balé.
Ele alçou vagarosamente o olhar e lá estava Beatriz Quintas.
Um vislumbre surgiu com vigor no pensamento de Douglas, o intento não pertencia à Família Quintas, era uma intenção peculiar e inteira de Beatriz.
As sobrancelhas franziram-se levemente, os pensamentos dispersados pelo apelo da enfermeira prestes a colher sua amostra de sangue.
A aparição de Beatriz, entretanto, tomou conta da visão dentro da sala onde encontrava-se Robson.
Robson não controlou certo espanto. Nunca previra a visita da Senhorita Quintas desacompanhada.
— Tio Robson, Inês, Sr. Simões. — a voz agradável de Beatriz ecoou no recinto; caminhou rumo à cama hospitalar, fixando os olhos em Robson enquanto se pronunciava: — Tio Robson, sente-se melhor agora? As questões domésticas mantêm todos imersos nas ocupações, por isso encontro-me aqui, representando os cumprimentos da Família Quintas à sua figura.
As turbulências em torno da Família Siqueira não haviam aflorado na sua integralidade, mas as reverberações rondavam à boca pequena, já que o desligamento de Robson os extirparia daquele imenso poder abrigado sobre a árvore monumental que outrora era o clã; perspectiva nada sagaz pelos olhos externos.
Clãs ilustres sempre recusam iniciativas separatistas por receio de fragmentação do poder, a peculiaridade não provinha de segregação e sim, do anseio exato de expurgo espontâneo; a constituição explícita de seu exército particular.
Destituído da Família Siqueira, os ornamentos e glórias sobre Robson despencariam intensamente e distanciariam todos que ali o circundavam num piscar de olhos.
Os preceitos sempre pertenceram às suas lucubrações; no ostracismo deste período ele resguardava o espírito diante das indiferenças repentinas.
Contudo, havia Beatriz.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Pra que um livro tão longo? É muito cansativo. Estou no capítulo 244 só agora ela foi revelada, para mim o livro só teria mais o envolvimento dela com o Rodrigo e acabaria ai, mas não, tem que passar de mil capítulos....
Parece até que mudou o autor do livro. Uma linguagem rebuscada, parecendo até português de Portugal....
A esposa do Robson era Nara Lessa, de repente mudou para Soraia Siqueira....
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...