Helder sentou no carro, lembrando da cena de Gabriel protegendo Sheila.
Ele massageou as têmporas e falou tão baixo que parecia falar consigo mesmo.
— Do que você gosta nele?
André achou que Helder estava falando com ele, olhou pelo retrovisor, mas viu o Sr. Cavalcanti sem expressão, e achou que tivesse imaginado coisas.
— Tem certeza de que recolheram todos os mangás?
Toda essa bagunça não deveria ter acontecido por causa da HQ da Sheila.
André não sabia se devia contar, mas sabia que não poderia esconder.
— Compramos todos os originais. Depois que a empresa que adquirimos faliu, os piratas começaram a circular em grande quantidade ao mesmo tempo, foi impossível controlar. É possível...
André engoliu em seco.
— O quê?
— Agora, quase toda mulher entre vinte e trinta anos tem um exemplar. Mesmo se comprássemos todos, elas já leram.
As têmporas de Helder latejaram.
Ele riu; aquilo era culpa da própria Sheila.
Não era à toa que os fãs estavam atrás dela.
— O que estão dizendo nas postagens online?
— A foto sua com a esposa vazou. O seu rosto foi censurado, mas o dela não. Estão dizendo que...
Vendo que Helder estava de olhos fechados, descansando, André criou coragem e continuou.
— Dizem que ela seduziu você. E dizem que a Senhora Zilda, na verdade, é a Dona Valentina.
Helder levou muito tempo para abrir os olhos. A paisagem passava pela janela.
— Isso é um absurdo.
André não sabia se ele se referia às postagens ou a ele mesmo.
De qualquer forma, ele era apenas um mensageiro.
Helder foi para a empresa.
Valentina sentou-se no escritório, lendo as postagens online.
Quase em tempo real, as fotos de Sheila sendo atacada foram publicadas.

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