Ao voltar para o lugar, Lívia olhou para Sheila.
— Mamãe, você ficou brava?
Ela achava que a mãe sempre amou o pai.
Será que a mãe ficou zangada por ela ter dito aquilo do pai no palco?
Se ficou, ela nunca mais falaria de novo.
Ela amava a mãe.
Amava de verdade.
Sheila acariciou a cabecinha dela.
— Se a Lívia não está se sentindo bem, sentindo que alguém roubou o seu papai, pode xingar quem você quiser. A mamãe acha que você fez a coisa certa.
Os olhos dela escureceram um pouco: — Lívia, você não disse que queria aprender artes marciais? Quando voltarmos para casa hoje, a mamãe vai começar a te treinar. Que tal?
Os olhos de Lívia brilharam com entusiasmo.
Já havia esquecido completamente de Helder.
— Tá. Eu quero aprender a lutar para bater nos caras maus.
Lívia e Sheila esperaram até o fim do Encontro de Pais e Mestres antes de entrarem no novo Rolls-Royce Cullinan que Sheila acabara de pegar.
Elas foram na frente e logo atrás ouvia-se gente fofocando.
— Aquela parece ser a Sheila Valente. A influencer que está sempre armando pra cima da Srta. Couto. Hoje foi um show à parte. Não conseguiu agarrar o Sr. Cavalcanti e usou a filha.
Sheila ouviu os comentários e, de repente, se virou.
O grupo que fofocava tomou um susto. Mas Sheila não hesitou.
Já estava engolindo aquilo há muito tempo.
A Lívia era filha biológica de Helder. Com que direito aquelas pessoas babavam ovo para Valentina enquanto a pisavam?
— O que vocês disseram? Repitam o que acabaram de falar.
Ela levantou o celular e ligou o gravador de voz.
Os pais que vinham atrás ficaram paralisados.
Os pais daquele jardim de infância eram pessoas importantes e bem conceituadas.
— Com que base vocês dizem que eu armo planos contra a Valentina? Tragam provas se tiverem, se não, eu vou processar todos vocês por difamação pelas mentiras que acabaram de falar.

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