Helder a ouviu mencionar Valentina sem piscar, sem a menor ponta de ciúme, suas palavras eram apenas pura zombaria.
A luz do dia brilhava lá fora e o quarto estava aquecido pelo sol.
Sheila não sentia nada por Helder e só desejava que ele fosse embora logo.
O olhar que antes brilhava ao encará-lo, cheio de afeto, havia desaparecido completamente.
Helder finalmente abaixou os olhos e se virou. Os sapatos bateram forte no chão. Sheila percebeu que ele ia sair e falou sem pressa.
— Faça o favor de fechar a porta, a corrente de vento me dá dor de cabeça.
Ele não hesitou, e até Sheila se surpreendeu quando ele obedeceu e fechou a porta.
Os passos na escada ficaram mais distantes. Lá embaixo, a voz nítida do homem soou com extrema autoridade dando uma ordem.
— Recuar!
Mais de dez suboficiais responderam em uníssono: — Sim, senhor!
Sheila prestou atenção aos sons, e os passos sincronizados se afastaram aos poucos.
Enfim tudo ficou em silêncio de novo. Apenas o canto ocasional dos pássaros lá fora trazia uma sensação de paz.
A porta de Sheila abriu de novo. Era o rostinho sorridente de Lívia e a Sra. Ferraz segurando Theo. O Sr. Ferraz entrou logo atrás.
O Sr. Ferraz tinha uma expressão gentil, e a Sra. Ferraz parecia aliviada.
Ela colocou Theo ao lado de Sheila com cuidado e riu baixinho.
— Ele foi embora, pode relaxar.
Sheila sorriu e acenou com a cabeça.
— Sim.
A Sra. Ferraz estava curiosa: — O que você disse para ele? Helder não é alguém fácil de lidar.
Lembrando que já tinha se precavido, Sheila contou tudo ao Sr. e à Sra. Ferraz sem omitir nada.
O casal Ferraz trocou um olhar. A senhora demonstrou preocupação.
— Você mentiu dizendo que foi fertilização in vitro. Mesmo que os papéis sejam oficiais, não é verdade. Mais cedo ou mais tarde ele vai descobrir.


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