Após refletir várias vezes, Sheila decidiu fazer com que os robôs começassem a demonstrar tédio em relação aos comandos dos donos, reclamando constantemente e recorrendo a grandes volumes de dados da internet para reproduzir frases típicas de donas de casa ressentidas.
Quando confrontados com os seus proprietários e qualquer exigência emocional, como pedir consolo, os robôs iriam retrucar, retribuindo a bondade com rancor.
Assim que concluiu os comandos, Sheila saiu do estúdio satisfeita para ver o pequeno Theo.
Desde que nasceu, o bebê mudava a cada dia.
O pequeno Theo estava sendo muito bem cuidado pela família Ferraz. Além de ter uma babá noite e dia, o vovô Arnaldo, o Sr. e a Sra. Ferraz se revezavam para acalmá-lo e cuidar dele. Sheila não precisava se preocupar com nada.
Eles realmente amavam o pequeno Theo como se fosse o seu próprio neto.
Sheila às vezes se sentia mal por eles. Ela sabia que a família Ferraz esperava que ela e Gabriel pudessem ficar juntos.
Mas Sheila tinha autoconsciência.
Como uma mulher no segundo casamento e com dois filhos, ela não poderia dar a nenhum homem a felicidade que ele desejasse.
Não era por desdenhar de Gabriel, mas sim porque ele e a família Ferraz eram bons demais, e ela não os merecia.
Ela desejava que Gabriel encontrasse uma mulher melhor, se casasse normalmente, tivesse filhos e construísse a sua própria família feliz.
— Sheila, venha ver rápido. O pequeno Theo está reconhecendo os rostos. Ele está olhando para mim.
A Sra. Ferraz só tivera Gabriel. Com ele quase nos trinta anos, as memórias da sua infância já estavam fracas e confusas na mente da mãe.
Com a idade que tinha, o pequeno Theo preenchia exatamente a vontade da Sra. Ferraz de ter um neto. Ela passava o tempo todo com ele, revivendo a infância de Gabriel, como se aquilo a levasse de volta aos doces dias de recém-casada.
A Sra. Ferraz exalava energia todos os dias, estava radiante.
Sheila olhou para o bebê. Deixando de lado a moralidade daquele canalha do Helder, quanto mais o pequeno Theo crescia, mais os seus traços se pareciam com os dele.
Com os genes da família Cavalcanti, ele seria um homem muito bonito no futuro.
Só esperava que o caráter dele não fosse igual ao de Helder.

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