Gabriel não queria ficar de papo furado com Helder, ele não era tão desprezível quanto o homem. Se Helder quisesse ver as crianças, desde que Sheila concordasse, ele não impediria.
No entanto, eles realmente não tinham tempo para jantar com Helder.
— Sr. Cavalcanti, eu agradeço as intenções, mas o Comissário Barreto nos chamou para jantar. Você chegou tarde. Deixe para a próxima.
Helder conseguiu a resposta que o satisfazia e não perturbou mais Gabriel.
Parecia que o velho Barreto era um homem de ação e que faria um movimento imediatamente.
Ele ligou para o Secretário Yunes e usou o seu habitual tom de superior: — O Comissário Barreto arranjou um jantar, me envie o endereço pelo celular. Quando eu terminar meu trabalho, passarei lá.
O Secretário Yunes conhecia o status político de Helder. Embora não soubesse de sua identidade militar, o Comissário Barreto ainda lhe devotava certa reverência. Naturalmente, Sérgio não seria descuidado.
— Claro, Sr. Cavalcanti, vou mandar o endereço agora mesmo.
Segundos depois, Helder recebeu a localização que Sérgio enviara.
Ele olhou para a tela, organizou as coisas em que estava trabalhando, pegou o casaco e se preparou para sair.
Sheila saiu do estúdio com um ar um pouco exausto.
Gabriel estivera esperando por ela.
— Não disseram que esses robôs não deveriam ser lançados? Por que você ainda está atualizando o sistema?
Sheila sorriu levemente: — Sim. Esses chips estão ligados aos robôs da Valentina. Eu pensei que seria simples implantar um programa que bagunçasse o sistema, mas nunca imaginei que prejudicar os outros desse mais trabalho do que criar algo que traga benefícios.
Ela precisou apagar todos os dados anteriores do chip para implantar os novos. O desenvolvedor do chip, bastante astuto, já previra a possibilidade de substituição maliciosa do programa e por isso instalara diversas barreiras de segurança, mas felizmente Sheila conseguiu superá‑las uma a uma.

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