— Eu fiz isso para salvá-la, e se eu tivesse morrido hoje?
Ele falou com os dentes cerrados, essa mulher estava cada vez mais sem coração.
Todo aquele amor e afeto de antes era apenas teatro.
Agora que arranjou um protetor, não precisava mais fingir, não é?
— Se você morrer, eu pago o enterro e a cremação também. Sendo um homem tão poderoso e importante, o senhor Cavalcanti pode até ter um velório de três dias. Aliás, conheço gente desse ramo, posso até indicar para você.
Sheila pegou o telefone de Gabriel e desligou assim que terminou a frase.
Ela achava que se Helder tivesse um pouco de vergonha na cara, não ia ligar mais.
E, de fato, o celular de Gabriel não tocou mais.
Gabriel soltou um riso contido: — Acho que, nesta vida, ninguém teria coragem de falar com o Sr. Cavalcanti desse jeito, a não ser você.
Sheila deu um sorriso frio.
Ninguém se atrevia a falar com ele assim por acharem que ele era o dono do mundo.
Ela não queria mais se importar com ele.
Longe dali, a expressão de Helder se contorceu de raiva.
O Dr. Ricardo tirou uma bala e a jogou na bandeja: — Que novidade essa. Anos atrás eu tirei três estilhaços perto da artéria principal dele e você não reclamou de dor. Agora uma bala só já está te deixando assim?
O que Helder estava pensando não tinha nada a ver com o que o Dr. Ricardo dizia.
— Cale a boca, não me perturbe.
Ele precisava de silêncio absoluto. Se não acalmasse a cabeça, ele ia acabar passando mal de tanta raiva de Sheila.
Ele a salvou e ela torcia pela morte dele.
Ela mal via a hora de se tornar viúva, mas que benefício a morte dele traria para ela?
O rosto de Helder se contorceu de dor novamente.
— O que você está fazendo, Ricardo?
Pela primeira vez, Helder o chamou pelo nome.
O Dr. Ricardo guardou o algodão inexpressivamente e com um olhar calmo.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois da Amnésia, Abandonei o Marido Frio
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