Mas por quê?
Tinha sido mesmo por causa de Helder?
Nicole chegou de mansinho perto de Sheila.
— Você não disse que queria pedir divórcio para ele? Se for verdade, eu ajudo...
Ela não terminou a frase, pois escutou passos vindo da escada.
Sheila e Nicole pularam de susto juntas.
A silhueta de Adriano Rossi foi aparecendo, com Helder logo atrás.
Dois homens de quase um metro e noventa entraram juntos no quarto de Sheila, e o espaço cheio de objetos femininos ficou pequeno e pesado com a presença imponente deles.
— Vem pra casa.
Quando Nicole viu Adriano, ficou quieta na mesma hora.
Ela deu uma encarada furiosa em Helder.
Não era à toa que o desgraçado saiu sem falar nada, tinha ido contar tudo para o tio.
Nicole se levantou conformada. Na frente do tio, parecia um coelhinho manso.
Bem diferente da advogada Nicole esperta do tribunal.
— Peço perdão, Sr. Cavalcanti. Eu não cuidei bem da situação. Isso não vai se repetir.
Quando Adriano pegou a mão de Nicole, ela não teve coragem nem de erguer a cabeça.
Helder assentiu.
— Também espero que tenha sido a última vez.
Nicole tentou lançar um olhar para Sheila, mas o corpo grande de Helder bloqueou a visão na mesma hora.
Sheila via Adriano pela primeira vez. A pressão da presença dele era idêntica à de Helder. Ela resolveu se meter para defender a amiga.
— Não pode levar ela daqui.
Adriano soltou uma risada fria.
— Não vai dizer que esqueceu do que fez há cinco anos? Não machucou as pessoas o suficiente?
Enquanto Sheila ficou congelada, Nicole já tinha sido levada.
Ouviu-se o barulho do carro lá embaixo.
Logo o som sumiu.
Helder encostou na porta e a sombra alta cobriu Sheila.
— Pode falar.


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