Presa naquele abraço de urso, Fernanda não conseguia se soltar de jeito nenhum.
A única coisa que pôde fazer foi dobrar os braços contra o peito dele e se debater com todas as forças.
O grito descontrolado de Leonardo gerou um zumbido estridente no ouvido esquerdo dela, causando-lhe uma tontura avassaladora.
Seu corpo perdeu as forças por um instante e ela cambaleou.
Ao perceber o vacilo, Leonardo se lembrou do problema de audição dela. Em pânico, pressionou os lábios contra o ouvido de Fernanda, tomado pela culpa.
— Desculpa, Nanda... me desculpa, eu não fiz por mal.
O hálito quente dele batendo em sua orelha a deixou ainda mais agoniada. Pálida, ela tentou empurrá-lo, a voz já embargada pelo choro de exaustão.
— Me solta... solta logo...
O coração de Leonardo sangrou, mas em vez de soltá-la, ele a apertou ainda mais contra si.
Apertou tanto que parecia querer fundi-la ao seu próprio corpo. Incapaz de afastá-lo e sentindo uma dor aguda na orelha, Fernanda cobriu o ouvido esquerdo, deixando escapar um gemido sôfrego.
No segundo seguinte, a mão que estava na cintura dela escorregou para as pernas de Fernanda, erguendo-a do chão com facilidade.
Ele já tinha feito aquilo várias vezes, e em todas elas Fernanda bateu nele, reclamando que ele a carregava como se fosse uma criança.
Que era muito pior do que carregar no estilo princesa.
Mas Leonardo adorava erguê-la daquele jeito.
Nas fotos, também gostava de suspendê-la apenas com um braço e colocá-la sentada em seus ombros.
Achava o contato íntimo, e adorava ver o sorriso tímido e radiante que brotava no rosto de Fernanda toda vez que ficava daquela altura.
Com passos rápidos e largos, Leonardo abriu a porta do carro e a colocou no banco do passageiro.
Assim que se recuperou do baque, Fernanda levantou a mão e desferiu outro tapa no rosto dele.
A força do golpe fez o rosto dele virar com tudo.
— Seu psicopata.
Ignorando a dor, Leonardo manteve a postura inclinada. Apoiou uma mão perto da cabeça dela e a outra no banco, posicionando um dos joelhos no vão entre as pernas de Fernanda.
Os olhos escuros e impenetráveis a travaram como uma presa, sem desviar um centímetro sequer.

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