Leonardo beijava seus cabelos e sua testa de forma frenética, completamente entorpecido.
Como um animal encurralado, Fernanda o empurrou, bateu e xingou com uma voz que já perdia a clareza.
Mas ele não notou que havia algo errado com ela; achou apenas que estava em fúria.
— Nanda, Nanda, me escuta! — Leonardo sentia que também estava perdendo o controle de vez.
Ele segurou o rosto dela entre as mãos e cuspiu as palavras.
— Eu não sou casado. E aquele filho não é meu.
Fernanda via os lábios dele se moverem, mas o som não existia.
Apenas continuava se debatendo, fuzilando-o como se ele fosse seu pior inimigo. Todo aquele amor juvenil tinha sido obliterado.
Não restava nem ódio, só uma necessidade animal de fugir.
Leonardo se recusou a aceitar aquele olhar. Sem conseguir controlar as emoções que ferviam como um vulcão prestes a explodir, esmagou a boca de Fernanda com a sua.
No instante em que os lábios se tocaram, seu corpo inteiro estremeceu. Três anos de abstinência arrebentaram as comportas, deixando a respiração dele pesada e brutal.
Não era um beijo, era um canibalismo desesperado. Suas bocas se chocaram com tanta violência que os dentes doeram.
O impacto a fez esquecer instantaneamente o que quer que ele tivesse tentado dizer há pouco.
Toda a sua energia foi dragada pela luta fútil contra aquele aperto.
O beijo abusivo entorpeceu a raiz da sua língua, enquanto seus lábios ardiam sob as mordidas impiedosas dele.
Leonardo parecia querer esmagar os ossos dela e devorá-la viva.
O terror afinal a dominou. Aquela versão insana de Leonardo era apavorante.
O toque brusco desenterrou as memórias traumáticas que ela havia lacrado no fundo da mente.
Aterrorizada, Fernanda foi obrigada a suportar o chiado enlouquecedor que rasgava dos seus ouvidos até o cérebro.
Tudo o que conseguia escutar, acima da própria surdez, eram seus gemidos sufocados, a sede predatória de Leonardo e a batida estrondosa dos corações dos dois.
O zumbido havia engolido todos os sons da Terra.
Aquilo era o lembrete cruel de que o homem que agora a beijava, era o mesmo carrasco que a havia destruído.

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