Eu disse, com o rosto inexpressivo:
— Eu preciso pedir sua permissão para aparecer no closet da minha própria casa?
O rosto de Mônica mudou ligeiramente, mas logo ela forçou um sorriso e respondeu:
— Débora, você me entendeu mal. É que, nessa viagem ao exterior, o Augusto me comprou muitas roupas novas. Estou preocupada que não caibam no closet.
Eu olhei para as sacolas com embalagens de marcas internacionais e disse friamente:
— Se não cabe, é só apertar um pouco. Afinal, se duas pessoas conseguem apertar uma terceira no meio da relação, por que algumas roupas não caberiam?
O sorriso de Mônica quase desapareceu. Ela olhou para o cachecol que eu tinha tricotado para Augusto, segurou-o com desdém e o jogou diretamente no lixo ao lado.
Com um tom que transbordava malícia, ela disse:
— Em vez de apertar, é melhor jogar fora as coisas velhas e fora de moda que não combinam com o gosto do Augusto.
Ela continuou mexendo nas peças que eu havia tricotado, aquelas que estavam jogadas em um canto, como se fizesse um comentário casual:
— Sinceramente, não entendo como coisas tão ultrapassadas vieram parar na casa do Augusto. São tão… Sem classe.
Eu me lembrei do que Maria e Sérgio haviam dito sobre a namorada do meu irmão, e, de repente, tudo o que Mônica fazia me pareceu incrivelmente ridículo.
Tomei de suas mãos as roupas que eu mesma tinha feito para Augusto e disse:
— Roupas fora de moda, pelo menos, podem aquecer os desabrigados. Mas pessoas sem classe, não importa para onde vão, continuam sendo lixo.
Na semana seguinte, quando Mônica aparecesse com o meu irmão na casa dos meus pais, aquele lixo finalmente mostraria sua verdadeira face.
Continuei a procurar no closet e, depois de um tempo, finalmente encontrei o terninho que precisava para a entrevista daquela tarde.
Quanto às roupas e cachecóis que eu tricotei para Augusto, decidi levar tudo comigo.
Quando saí do closet e dei alguns passos pelo corredor, ouvi Laís entrando no espaço e exclamando, cheia de admiração:
— Uau, mamãe, suas roupas são tão lindas! Esse vestido parece de uma fada!
Mônica, como se quisesse que eu ouvisse, respondeu:
— Foram todas presentes do papai.
Puxei um leve sorriso irônico enquanto descia as escadas. Ao chegar na entrada da mansão, joguei todas as roupas que fiz para Augusto na caixa de doações de roupas.
Aquelas peças, agora, mesmo vestindo um desabrigado, teriam mais significado para mim do que se fossem usadas por Augusto.
Quando voltei para dentro, percebi que Augusto já estava na sala de estar.
Ao me ver, ele tomou a iniciativa de falar:
— Amanhã você tem tempo? Vamos juntos enterrar a criança. Pedi para Felipe escolher um cemitério com uma localização boa.
Eu parei no meio do caminho, atônita, encarando aquele homem com um rosto perfeito, mas vazio de alma.
Eu não sabia se era eu quem ainda não tinha acordado completamente, ou se era ele quem estava delirando.
Só agora ele se lembrava do nosso filho.
Naquele dia, eu fiquei sozinha no cemitério, olhando para aquele pequeno caixão de cinzas ser enterrado na terra. Esperei pelo pai da criança, mas ele nunca apareceu.
Segurei o nó que se formava na minha garganta e perguntei, com a voz trêmula:
— Não combinamos que na sexta-feira você estaria aqui para o enterro? Por que você não voltou?
Augusto desviou o olhar por um instante e respondeu com um tom indiferente:
Aquele homem, sempre tão frio e distante, só mostrava esse lado caloroso e indulgente quando estava ao lado de Mônica e Laís. Ao ver aquela cena, não pude evitar um sorriso irônico.
Quando passei por eles, o olhar de Augusto pousou em mim, carregado de uma certa curiosidade. Afinal, desde que ele sabotou o meu último emprego, eu nunca mais havia saído tão cedo de casa.
Ele parecia surpreso ao me ver vestida com um terninho formal e usando uma maquiagem leve.
Ana, ao me ver sair, perguntou com preocupação:
— Sra. Moretti, a senhora está saindo tão cedo. Tem algum compromisso?
— Sim, preciso resolver umas coisas. — Respondi de forma vaga, sem querer que Augusto soubesse que eu havia conseguido um novo emprego.
Às 7h50, cheguei pontualmente ao departamento de recursos humanos da empresa para me apresentar. Depois disso, pediram que eu fosse encontrar a diretora do meu departamento.
Para minha surpresa, a diretora do departamento de jornalismo daquela empresa era ninguém menos que minha ex-colega de quarto na universidade e também minha maior rival acadêmica: Eduarda.
Na época da faculdade, Eduarda e eu sempre disputávamos o primeiro lugar no curso. Nossos nomes alternavam entre o topo das listas de notas.
No ano em que nos formamos, eu conquistei a única vaga de mestrado direto oferecida pelo nosso curso. Mas, para me casar com Augusto e atender ao desejo da minha sogra de “ampliar a família”, eu abri mão do meu futuro acadêmico.
A vaga, então, passou para Eduarda.
Até hoje, eu ainda me lembrava do olhar dela naquele dia. Surpresa misturada com desprezo, como se ela estivesse me chamando de uma tola obcecada por amor, incapaz de enxergar o próprio valor.
Quatro anos depois, enquanto eu carregava as cicatrizes de um casamento que me deixou emocionalmente destruída, minha antiga rival seguia sua carreira como repórter, o trabalho dos meus sonhos. Agora, ela era minha chefe.
A realidade era, de fato, cruel e cheia de ironia.
Enquanto eu estava perdida nesses pensamentos, Eduarda quebrou o silêncio. Sua voz, carregada de sarcasmo, ecoou pelo ambiente:
— Débora, o que foi? O casamento não deu certo? Seu marido não te dá dinheiro? Foi obrigada a sair para trabalhar?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Estou tão ansiosa pra Thiago e Débora acontecer logo, tinha ficado com raiva dele, mas esses novos capítulos se redimiu. Queria o fim da história logo, Debora sendo feliz, estou sonhando acordada com isso....
Esse livro pelo visto vai ter mil capítulos pra contar nada Tudo q aconteceu poderia ser resumido em metade E nada de divórcio...
A história poderia ser agilizada pois gostamos muito da Débora e queremos ver ela bem, cara tá muito chato vermos ela sendo atacada o tempo todo e ela nem se defende , não joga umas merda na cara desse povo,gostamos muito da Débora, autora vamos dar uma agilizada nessa história pq cara tá na hora desse divórcio sair e ela ser livre com a Laís , eu era apaixonada no Thiago,mas agora quero ver a Débora feliz sozinha sem homem escroto perto dela e sem gente que não presta e quanto a família toda de augusto e a vagaba da Mônica espero que se ferrem muito....
Espero que ela se divorciei logo estou decepcionada com augusto e Thiago, primeiro augusto é um idiota babaca, segundo Thiago é um homem adulto,o que a mãe dele está sugerindo pra ele é um absurdo,eles sabem bem o que a Débora está passando deveriam era sentir vergonha principalmente essa mãe do Thiago que passa pano pras merda que a filha dela e o neto vem fazendo com a Débora,Lorena não presta assim como Fabiana e Augusto,cara sério pra mim a Débora tinha que pegar a Laís e viver em outro país, recomeçar do zero sem essa gente nojenta perto dela....
Essa história não desenrola, ele fica na capelo rezando pelo filho, que filho que morreu se ele escondeu a filha e deu pra Mônica criar, até agora não entendi o pq, não teve nenhuma explicação pra ele fazer isso 😔...
Já passou da hora da Débora ter um apoio de verdade. Ela só é pisoteada desde o começo e nunca consegue reagir como merece. A Mônica precisa ser desmascarada urgente essa farsa já cansou. O Augusto não merece nem a Débora, nem a Laís. Vive achando que tá no controle, cheio de dinheiro e influência, mas não enxerga a Mônica aprontando debaixo do nariz dele. É uma cegueira que dá raiva. Se continuar assim, é capaz até de noivar com ela ainda casado — e aí o surto do irmão da Débora vai ser mais que justo, alguém precisa sacudir esse homem e jogar a verdade na cara dele. E essa Mônica? Impressionante como manipula, causa o caos e ainda posa de santa. Mas quanto maior a mentira, maior o tombo. A máscara dela precisa cair e quando cair, a vergonha do Augusto vai ser histórica. Eu só quero ver essa virada acontecer....
Caro autor, a Débora deveria parar de sofrer, e finalmente ser feliz com a filha. A história parece que está sempre na mesma coisa 400 e poucos capítulos e não mudou nada, ele continua feliz com a manipulação de Mônica, não descobre nada sobre ela ser uma traira, Ainda vai casar com ela. Tinha visto no chatGPT que ele descobriria as armações de Mônica mas até agora continua na mesma. Da uma mudada nesse enredo! E como a Sra. Joana permitiu o Thiago fazer isso com a Débora? Querendo que ela abra mão da própria filha? Sendo que ele foi a primeira pessoa da qual ela pediu ajuda sobre esse assunto.? Poxa estou triste com esse enredo e com essa enrolação pra soltar os capítulos!...
Caro autor , você poderia começar dar alegria para Débora, quero tanto que ela e Thiago se conectem por completo, ele parecia que ia fazer tudo por ela e depois da chantagem da mãe passou a advogar contra ela e ainda defendendo um cara sem nenhum escrúpulo....
Realmente está bem cansativo mesmo, história não sai disso, nunca mais foi falado da Alice,se morreu ou não, pq tem aquela mulher misteriosa que foi visitar a mãe da Débora, está sem nexo essa história...
Do capítulo 434 em diante está com algum erro, não dá pra desbloquear usando as moedas e não tem prévia nem nada...