O homem trazia no olhar um frio impenetrável, como uma camada de gelo que não derretia, enquanto me encarava.
Eu o olhei de volta, sentindo uma raiva inexplicável crescer dentro de mim.
— O que você está fazendo aqui? — Perguntei, com a voz carregada de impaciência.
A resposta dele veio em um tom tão calmo que parecia a água parada de um lago morto:
— O dia da morte da criança está chegando. Assim como você, vim prestar minha homenagem.
Eu soltei uma risada curta, cheia de sarcasmo, e retruquei:
— Augusto, você sabe muito bem se esta criança enterrada aqui é ou não nossa filha!
— Ela é. — Ele me interrompeu, e seus olhos de repente ficaram tão afiados quanto lâminas. — Por que você insiste em se enganar? Laís não é sua filha. Quantas vezes mais você quer que eu diga isso?
— Então por que você a mantém trancada em casa? — Eu dei um passo para frente, encurtando a distância entre nós, e minha voz tremeu com a mistura de raiva e desespero. — Se você não tem nada a esconder, por que não me deixa vê-la? Por que não permite que façamos um teste de DNA de uma vez por todas?
Ele desviou o olhar, sem demonstrar emoção alguma, e respondeu com frieza:
— Não se ache tão importante. Aconteceram muitas coisas recentemente. Achei que o mundo lá fora estava muito caótico e decidi que Laís deveria descansar em casa por um tempo. Isso não tem nada a ver com você.
— Não tem nada a ver comigo? — Eu ri, mas era uma risada amarga, quase histérica. — Augusto, você ainda se considera um homem? Antes, eu achava que, apesar da sua frieza, você pelo menos tinha integridade. Mas agora, você faz as coisas e não tem coragem de admitir. Você realmente me dá nojo!
O olhar dele ficou pesado, sombrio como a noite, antes de ele perguntar:
— Se você tem tanta certeza de que a criança não morreu, qual é o significado da sua vinda aqui hoje?
Eu olhei para a lápide fria à minha frente e, de repente, fui tomada por uma sensação absurda de tristeza e vazio.
— Eu vim para lamentar tudo o que morreu entre nós. — Minha voz saiu baixa, quase um sussurro. — Você sabe, Augusto? No dia do enterro, eu estava sozinha aqui, assistindo aquele pequeno caixão ser enterrado na terra. Eu queria tanto que você aparecesse, mesmo que fosse só para dar uma olhada. Pelo menos isso provaria que você se importava. Mas você não veio. Você tinha todo o tempo do mundo para ficar no exterior com Mônica, cuidando do cachorro dela, mas não atendeu sequer uma ligação minha.
Ficamos em silêncio. A única coisa que se ouvia era o som do vento soprando entre as árvores.
Não soube dizer quanto tempo se passou até que ele finalmente quebrou o silêncio:
— Podemos nos divorciar, mas com uma condição: você tem que prometer que, no futuro, não vai mais interferir na vida de Laís.
Depois de dizer isso, ele não esperou pela minha resposta. Simplesmente se virou e foi embora.
Os sapatos pretos dele esmagaram as folhas secas espalhadas pelo chão, e o som ecoou pelo cemitério silencioso, como se cada passo fosse uma lâmina cega cortando meu coração.
Eu não iria interferir na vida dele. Não iria interferir na vida da filha dele.
Mas eu lutaria pela minha filha.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...