Entrar Via

Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle romance Capítulo 3

— Não foi você? — Ana perguntou, com a voz insegura.

Depois de ouvir isso, Augusto provavelmente foi fazer uma ligação. Sua voz, sempre fria, carregava a autoridade de alguém acostumado a dar ordens:

— Vitória, passe no financeiro amanhã para acertar suas contas. A partir de agora, você não trabalha mais no Grupo Moretti.

Logo em seguida, Augusto entrou no meu quarto com o kit de primeiros socorros na mão.

Ele estava com a expressão fechada, caminhou diretamente até a cama e sentou-se ao meu lado. Sem uma palavra, ele segurou meu tornozelo e colocou minha perna sobre o seu colo.

— Vai doer um pouco. Aguente firme.

Os olhos dele, escuros como a noite, se fixaram nos meus joelhos, onde o sangue seco marcava as feridas. Augusto parecia perdido em pensamentos enquanto pegava um algodão embebido em iodopovidona e começava a limpar cuidadosamente os meus ferimentos.

Se não fosse por tudo o que eu vi nas fotos, que destruiu qualquer expectativa que eu ainda tinha sobre ele, talvez o olhar concentrado dele naquele momento me fizesse acreditar que o Augusto de antigamente, o homem que um dia me amou, ainda estava ali.

Mas ele passou a noite inteira com Mônica.

Não, talvez nos últimos três anos, em todas aquelas noites em que ele dizia estar viajando a trabalho, ele estivesse, na verdade, com ela.

Um nojo profundo tomou conta de mim. Eu rapidamente puxei minha perna de volta, afastando-me dele. Sentei-me mais longe e, sem olhar para ele, peguei o algodão para continuar limpando as feridas sozinha.

A dor aguda e penetrante das feridas parecia me lembrar de algo: não havia mais volta para mim e Augusto.

Sem levantar os olhos para ele, comecei a colocar uma gaze sobre o joelho enquanto dizia:

— Augusto, vamos nos divorciar.

Eu tinha passado a noite inteira ponderando essa decisão. Foi como arrancar a própria pele, uma dor que parecia interminável. No entanto, mesmo assim, minhas palavras não causaram nenhum impacto visível nele.

O rosto dele, frio e impecavelmente bonito, permaneceu inalterado:

— Divórcio? Você tem certeza?

Ele parecia me desafiar, como se soubesse que eu nunca teria coragem de deixá-lo. Afinal, desde que fui adotada pela família Lins aos cinco anos, eu conhecia Augusto. Desde então, eu me tornei sua sombra, sempre o seguindo, sempre com os olhos brilhando por ele.

Ele me olhou com um sorriso cheio de desdém:

— Débora, se quer me provocar, já chega. Dizer isso uma ou duas vezes pode ser engraçado, mas e se, da próxima vez, eu realmente aceitar?

Engoli minha tristeza e respondi com sarcasmo:

— Você já teve filha com outra mulher. Por que acha que eu ainda vou querer ficar com você?

Os olhos dele, ligeiramente estreitados, me analisaram com cuidado.

— Você já sabe?

Eu forcei um sorriso amargo e, com a voz pesada, perguntei:

— A filha de vocês parece ter uns três anos, né? Então isso quer dizer que, pouco depois de perdermos o nosso bebê, o de vocês nasceu. Acertei?

Por um breve momento, algo diferente passou pelo rosto frio de Augusto. Mas ele não confirmou, nem negou.

O silêncio que se seguiu foi sufocante.

Depois de um tempo, ele franziu as sobrancelhas e perguntou:

— Você realmente se importa tanto com a existência da Laís?

Laís. Então esse era o nome da filha dele.

Eu suspirei, cansada, e respondi:

— Se ela existe apenas para satisfazer seu desejo de ser chamado de pai, então não, eu não me importo.

De repente, ele se aproximou e se inclinou sobre mim, as mãos apoiadas nos dois lados do meu corpo, me prendendo completamente.

Eu tentei empurrá-lo com força, mas meu corpo estava fraco demais para sequer movê-lo.

Augusto abaixou mais o corpo, e sua voz, fria como sempre, ganhou um tom baixo e envolvente enquanto sussurrava ao meu ouvido:

— Entre todas as pessoas que já me chamaram de papai, a sua voz continua sendo a minha favorita.

Meu rosto ficou imediatamente vermelho.

No passado, quando ele ainda não era tão frio comigo, tínhamos uma relação como qualquer outro casal apaixonado. Às vezes, no calor do momento, ele me fazia chamá-lo de "papai". Eu nem sei quantas vezes cedi a isso.

Mas agora, apenas pensar nisso me fazia querer desaparecer de vergonha.

Augusto parecia se divertir com meu constrangimento. Ele sorriu, satisfeito, e perguntou:

— Lembrou disso?

Meu rosto queimava, e eu sentia como se minhas bochechas fossem explodir.

Mas, ao olhar para ele, para aquele rosto familiar que agora parecia tão estranho, algo dentro de mim finalmente se libertou.

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle