Nos olhos dele surgiu um traço de confusão. Como sempre, eu e Augusto nunca estávamos na mesma sintonia. Ele não me entendia, e eu também não conseguia entendê-lo.
Foi nesse momento que a voz infantil de Laís interrompeu nossos pensamentos:
— Papai, vocês estavam brigando agora há pouco? Eu ouvi a vovó gritando bem alto...
A pequena estava parada na porta, olhando primeiro para Augusto, depois para mim.
Augusto caminhou até ela e a pegou nos braços, dizendo com ternura:
— Nós não estávamos brigando. Aliás, você não disse que escolheu um monte de acessórios hoje e queria mostrar para a tia Débora?
Laís, distraída com a mudança de assunto, rapidamente se esqueceu do resto. Com os olhos brilhando, ela respondeu animada:
— É verdade, tia Débora! Você quer me ajudar a escolher? Os que o papai escolheu eu não gostei. Me ajuda, por favor?
— Claro.
Fiz o máximo para parecer indiferente e entrei no quarto, tentando disfarçar o leve desconforto.
...
Sem perceber, um mês já havia se passado desde que Laís foi internada no hospital.
Tirando o tempo em que eu estava no trabalho ou atualizando meus capítulos do livro, praticamente todo o resto dos meus dias eu passava com ela no hospital.
Laís adorava cozinhar e fazer trabalhos manuais. Por sorte, essas eram coisas que eu também sabia fazer. Aos poucos, as menções que ela fazia a “Mônica” foram diminuindo.
Na véspera de sua alta, entrei no quarto com uma sacola rosa nas mãos e a balancei de propósito para chamar sua atenção:
— Laís, adivinha o que tem aqui dentro?
Ela estava sentada na cama, vestindo as roupas de suas bonecas. Ao ouvir minha voz, levantou a cabeça imediatamente. Seus olhos brilharam de expectativa:
— É a peruca que compramos? Já chegou?
Ri e toquei de leve o narizinho dela:
— Laís, você é muito esperta!
Enquanto falava, tirei da sacola uma peruca de cachos longos, muito parecida com o cabelo que ela tinha antes.
— Vem cá, vou te ensinar como colocar.
— Não. Cuida bem da Laís. Depois, quando tiver tempo, conversamos sobre nós dois.
Diante de Laís, eu não podia falar abertamente sobre o divórcio, mas Augusto entendeu o que eu quis dizer. O rosto dele ficou sombrio, e ele permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Aproximei-me de Laís, acariciei suavemente seu rostinho, sentindo um aperto no coração. Olhei para ela com intensidade e disse:
— Laís, eu... Preciso ir agora. Se você sentir saudades, pode me ligar, tá bom?
No fundo, eu achava que ela não sentiria minha falta.
Mas, nesse instante, Laís segurou levemente a manga da minha camisa e disse com uma voz doce:
— Tia, você não disse ontem que ia me ensinar a costurar vestidinhos para as minhas bonecas? Se você não voltar para casa com a gente, como vai me ensinar?
Fiquei completamente imóvel por um momento. Voltar para aquela “casa” não era algo que eu queria.
— Laís, eu ainda não terminei meu trabalho de hoje. Mas na próxima vez, você pode ir até a minha casa, e a gente costura roupinhas juntas para as suas bonecas. O que acha?
Foi quando Augusto interveio:
— Volte para casa com a gente. Nesse tempo que passou, você e Laís já criaram um vínculo. Acho que está na hora de conversar com ela sobre quem você realmente é. Não dá para continuar com esse “tia” para sempre.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...