Eu achava que ele fosse se irritar, mas Thiago apenas deu uma risada baixa e respondeu:
— Você está tentando me provocar? Quer que eu cuide do seu divórcio como advogado?
— Foi você quem começou com isso! — Falei, um pouco sem paciência, mas minha voz foi diminuindo aos poucos, até ganhar um tom de mágoa que nem eu mesma percebi. — Além disso... Às vezes você fala de um jeito que machuca. Se não pode me ajudar, pelo menos não fica dizendo essas coisas que acertam bem no fundo.
A sala ficou em silêncio por alguns segundos. De repente, Thiago se levantou. Sua figura alta se inclinou na minha direção, e o cheiro suave de tabaco que vinha dele me envolveu.
A voz dele soou rouca, com uma leve insinuação de algo que não consegui definir:
— Então, o que você quer que eu faça para te ajudar?
Meu coração deu um salto, como se tivesse parado por um instante.
Mas o que eu tinha com ele, afinal? Que tipo de relação era essa? Com que direito eu podia continuar pedindo ajuda para ele, de novo e de novo?
E se ele me ajudasse, o que eu poderia dar em troca?
Esbocei um sorriso forçado e dei um passo para trás, tentando manter alguma distância:
— Eu estava brincando, Dr. Thiago. Não se preocupe, não quero te incomodar.
Ele me olhou por alguns segundos, como se estivesse avaliando algo, mas não insistiu no assunto. Apenas assentiu e disse:
— Eu preciso ir. Descanse cedo hoje.
— Eu te acompanho até lá embaixo.
Me levantei e o segui até a porta.
Permanecemos em silêncio durante todo o trajeto. Só quando vi o carro dele se perder na escuridão da noite e as luzes traseiras desaparecerem, me virei para voltar ao apartamento.
Mas assim que me virei, uma voz familiar ecoou atrás de mim:
— Débora.
Não acreditei no que ouvi e me virei rapidamente.
Augusto estava parado na neve.
A luz do poste caía sobre ele, e uma fina camada de neve cobria seus ombros, como se alguém tivesse polvilhado açúcar de confeiteiro.
Senti um aperto no coração e, instintivamente, franzi a testa.
O olhar de Augusto encontrou o meu, cheio de cautela, e ele engoliu seco antes de esboçar um sorriso amargo:
As palmas de suas mãos estavam tão frias quanto o gelo, e um arrepio percorreu meu corpo. Instintivamente, tentei puxar minha mão de volta, mas ele apertou ainda mais, com tanta força que seus dedos ficaram brancos.
— Débora, eu quero conversar com você.
Pensei que ele fosse falar sobre Laís, então assenti:
— Fale.
Augusto engoliu em seco e suspirou antes de dizer:
— Eu sou bom com a Mônica por causa da Alice. E, principalmente, porque ela cuidou muito bem da Laís nesses quatro anos.
O vento soprava forte, jogando neve no meu rosto, mas eu não sentia nada. Minha mente parecia congelada, incapaz de reagir.
Quando ele terminou, eu apenas respondi, com a voz fria e distante:
— Você pode ser bom com quem quiser. Isso não tem nada a ver comigo.
Augusto continuou, como se não tivesse ouvido meu tom:
— Eu vou resolver a situação da Mônica, você pode ficar tranquila. E sobre o bebê... Foi um acidente. Eu não vou deixar ela ter essa criança. Isso não vai afetar a gente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...