Depois de encerrar a ligação com Eduarda, comecei a escrever a matéria sobre o caso do trabalhador que havia se suicidado no canteiro de obras de um dos projetos do Grupo Moretti, utilizando o editor de texto do meu celular.
Graças aos dois dias de esforço de Augusto, o setor de comunicação e os bots contratados pelo Grupo Moretti já haviam conseguido virar completamente a narrativa online. Quase ninguém mais lembrava que aquele trabalhador, desesperado por estar há seis meses sem receber salário, havia tirado a própria vida.
Agora, a maioria das pessoas elogiava a postura do Grupo Moretti, destacando sua coragem em admitir os erros e tomar atitudes exemplares. Afinal, Augusto pagou o dobro dos salários devidos a todos os trabalhadores e ainda enviou Mônica pessoalmente ao canteiro de obras para “prestar apoio”.
Essas ações deram a impressão de que o Grupo Moretti valorizava e respeitava os trabalhadores da base.
Pior ainda, algumas pessoas começaram a desmerecer o trabalhador que havia se suicidado. Comentários cruéis surgiram, dizendo que ele tinha “mente fraca”, que era “impulsivo e exagerado” e que “morreu porque quis”. A lógica distorcida era a seguinte: se ele tivesse tido paciência, como os outros, também teria recebido o pagamento e as compensações.
Na minha matéria, destaquei que, sem o suicídio desse trabalhador, o caso jamais teria ganhado atenção pública e, consequentemente, nunca teria chegado aos ouvidos da alta gestão do Grupo Moretti. Salientei que os trabalhadores vivos receberam o que era de direito, mas que nenhuma quantia de dinheiro seria capaz de trazer de volta aquela vida de apenas quarenta anos.
Depois de revisar o rascunho, enviei a matéria para Eduarda.
Dez minutos depois, ela respondeu:
— Não tem nada para corrigir. Vou publicar agora mesmo.
Pouco tempo depois, minha matéria já estava entre os assuntos mais comentados da internet.
A opinião pública mudou novamente:
[Essa matéria foi certeira! No fim das contas, era uma vida humana. O Grupo Moretti nem sequer mencionou isso. O CEO ainda leva uma celebridade para posar de herói. Isso é “dar satisfação ao público”?]
[Exatamente! Assinatura de autógrafos e fotos com a Mônica vão trazer o homem de volta à vida?]
[Olha só a roupa que a Mônica usou no canteiro! Era grife de luxo, mais de 200 mil reais! Que piada de mal gosto!]
Minha matéria ganhou cliques rapidamente e, sem dúvida, foi minha primeira grande marca no trabalho.
Foi então que recebi uma mensagem de Natália.
Ela me mandou uma foto.
Achei que fosse Natália. Concordei sem pensar muito:
— Pode deixá-la entrar.
Mas, para minha surpresa, quem entrou foi minha sogra, Fabiana.
Eu mal podia acreditar. Podia contar nos dedos as vezes em que tinha visto minha sogra. Na época em que Augusto e eu estávamos namorando, ela foi a pessoa que mais se opôs ao nosso casamento.
Depois que nos casamos, ela nunca fez questão de esconder que não gostava de mim. Dizia que eu não tinha nada a oferecer para a família Moretti, além de “dar continuidade à linhagem”.
No dia em que perdi meu bebê, nascido morto, eu estava devastada. Fabiana ficou ao lado da cama, olhou para mim e resmungou:
— Você realmente não serve para nada. Agora, nem a única coisa que poderia fazer de útil, você consegue.
Depois disso, ela nem sequer fazia questão de manter as aparências. Em feriados e datas comemorativas, apenas Augusto era convidado para a casa dela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...