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Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle romance Capítulo 43

Depois de encerrar a ligação com Eduarda, comecei a escrever a matéria sobre o caso do trabalhador que havia se suicidado no canteiro de obras de um dos projetos do Grupo Moretti, utilizando o editor de texto do meu celular.

Graças aos dois dias de esforço de Augusto, o setor de comunicação e os bots contratados pelo Grupo Moretti já haviam conseguido virar completamente a narrativa online. Quase ninguém mais lembrava que aquele trabalhador, desesperado por estar há seis meses sem receber salário, havia tirado a própria vida.

Agora, a maioria das pessoas elogiava a postura do Grupo Moretti, destacando sua coragem em admitir os erros e tomar atitudes exemplares. Afinal, Augusto pagou o dobro dos salários devidos a todos os trabalhadores e ainda enviou Mônica pessoalmente ao canteiro de obras para “prestar apoio”.

Essas ações deram a impressão de que o Grupo Moretti valorizava e respeitava os trabalhadores da base.

Pior ainda, algumas pessoas começaram a desmerecer o trabalhador que havia se suicidado. Comentários cruéis surgiram, dizendo que ele tinha “mente fraca”, que era “impulsivo e exagerado” e que “morreu porque quis”. A lógica distorcida era a seguinte: se ele tivesse tido paciência, como os outros, também teria recebido o pagamento e as compensações.

Na minha matéria, destaquei que, sem o suicídio desse trabalhador, o caso jamais teria ganhado atenção pública e, consequentemente, nunca teria chegado aos ouvidos da alta gestão do Grupo Moretti. Salientei que os trabalhadores vivos receberam o que era de direito, mas que nenhuma quantia de dinheiro seria capaz de trazer de volta aquela vida de apenas quarenta anos.

Depois de revisar o rascunho, enviei a matéria para Eduarda.

Dez minutos depois, ela respondeu:

— Não tem nada para corrigir. Vou publicar agora mesmo.

Pouco tempo depois, minha matéria já estava entre os assuntos mais comentados da internet.

A opinião pública mudou novamente:

[Essa matéria foi certeira! No fim das contas, era uma vida humana. O Grupo Moretti nem sequer mencionou isso. O CEO ainda leva uma celebridade para posar de herói. Isso é “dar satisfação ao público”?]

[Exatamente! Assinatura de autógrafos e fotos com a Mônica vão trazer o homem de volta à vida?]

[Olha só a roupa que a Mônica usou no canteiro! Era grife de luxo, mais de 200 mil reais! Que piada de mal gosto!]

Minha matéria ganhou cliques rapidamente e, sem dúvida, foi minha primeira grande marca no trabalho.

Foi então que recebi uma mensagem de Natália.

Ela me mandou uma foto.

Achei que fosse Natália. Concordei sem pensar muito:

— Pode deixá-la entrar.

Mas, para minha surpresa, quem entrou foi minha sogra, Fabiana.

Eu mal podia acreditar. Podia contar nos dedos as vezes em que tinha visto minha sogra. Na época em que Augusto e eu estávamos namorando, ela foi a pessoa que mais se opôs ao nosso casamento.

Depois que nos casamos, ela nunca fez questão de esconder que não gostava de mim. Dizia que eu não tinha nada a oferecer para a família Moretti, além de “dar continuidade à linhagem”.

No dia em que perdi meu bebê, nascido morto, eu estava devastada. Fabiana ficou ao lado da cama, olhou para mim e resmungou:

— Você realmente não serve para nada. Agora, nem a única coisa que poderia fazer de útil, você consegue.

Depois disso, ela nem sequer fazia questão de manter as aparências. Em feriados e datas comemorativas, apenas Augusto era convidado para a casa dela.

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