Já fazia muito, muito tempo que ele não me abraçava com tanta delicadeza.
O peito dele continuava tão forte e largo quanto antes. Através do tecido fino da camisa, eu podia sentir claramente as batidas firmes do seu coração. Mas aquele calor de outros tempos já não existia mais.
E eu também não sentia mais meu coração disparar como antes.
...
Passei a noite inteira dormindo nos braços de Augusto. Quando acordei, ele ainda me abraçava por trás.
Eu ainda estava meio sonolenta quando ouvi batidas na porta.
— Papai, você está aí? Vou entrar, tá bom?
Augusto ouviu a voz de Laís e despertou num sobressalto.
No segundo seguinte, Laís abriu a porta e entrou no quarto.
Ele rapidamente puxou o cobertor e o jogou sobre a minha cabeça, me cobrindo por completo. Eu quase fiquei sem ar.
Debaixo do cobertor, curvei os lábios num sorriso amargo. Agora, parecia que eu era uma amante flagrada pela esposa legítima, quando, na verdade, era eu quem tinha o título de esposa legal de Augusto.
A voz de Augusto, além de carregar a preguiça típica das manhãs, tinha um tom visivelmente irritado:
— Por que você trouxe a Laís até aqui?
Mônica sorriu levemente e respondeu:
— Laís não conseguiu te ver ontem à noite. Hoje, ela se recusou a ir para a escolinha e disse que só iria se pudesse te ver primeiro.
Enquanto ela falava, Laís já tinha corrido para o lado da cama e parecia prestes a subir nela.
Augusto me apertou ainda mais debaixo do cobertor, como se temesse que sua filha, a preciosidade dele, descobrisse a minha presença.
Ele usou como desculpa os germes que poderiam estar na cama do hospital e pediu que Mônica pegasse Laís no colo, evitando que ela se aproximasse. Augusto parecia apavorado com a ideia de destruir a ilusão que sua filha tinha de que seus pais viviam em perfeita harmonia.
A voz inocente de Laís perguntou:
— Papai, você está doente? Por que está no hospital?
Augusto respondeu com suavidade:
— Laís, eu só peguei um resfriado. Fiquei com medo de passar para você. Assim que eu melhorar, volto para casa, tá bom?
Ela insistiu, com uma carinha de quem não desistiria tão fácil:
Eu continuei olhando para o teto, sem expressão. Já tinha me acostumado a ser deixada de lado, e meu coração já não se agitava mais com isso.
A voz de Augusto soou com um tom raro de desculpas:
— Descanse bem. Eu volto depois da atividade na escolinha.
— Tá bom.
Respondi com calma. Então, ouvi o som da água correndo no chuveiro, o ruído das roupas sendo vestidas e, por fim, o som da porta sendo fechada.
Logo depois que ele foi embora, meu celular tocou. Era Eduarda.
— Débora, como você está? Ontem você pediu licença sem explicar direito. O que aconteceu? Seu pé está muito machucado? Vai atrapalhar no trabalho?
Ela disparou uma série de perguntas, mas no fundo o que ela queria mesmo saber era se eu conseguiria entregar o trabalho.
Afinal, o material da entrevista no Grupo Moretti estava todo comigo. E, como a matéria era algo que estava se desenvolvendo em tempo real, a relevância da notícia dependia da velocidade com que fosse publicada.
Expliquei que tinha feito uma cirurgia e tranquilizei-a:
— Vou terminar o trabalho a tempo. Antes do meio-dia, envio a matéria para o seu e-mail.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...