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Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle romance Capítulo 546

A postagem vinha acompanhada de imagens: certificados da equipe funerária, selos de qualidade, e ainda um cronograma minucioso de cada etapa da cerimônia. À primeira vista, tudo parecia impecável, pensado nos mínimos detalhes.

O perfil de Augusto mal tinha sido criado e já tinha atraído centenas de milhares de seguidores, todos sedentos por mais um capítulo daquele drama.

A área de comentários virou um campo de batalha.

Os perfis que vinham defendendo Augusto por “ter caráter” aproveitaram o momento e ganharam ainda mais voz:

[Sinceramente, dessa vez a Débora passou um pouco do ponto. Por mais que o Augusto tenha errado, ele ainda é genro. Ter ele à frente do funeral deixaria a despedida da sogra bem mais digna.]

[Diante da morte, rancor devia ficar em segundo plano. O Augusto já fez muito além do que a maioria faria, e a Débora continua fazendo birra. Tá parecendo falta de coração.]

[Aqui a gente tem que ser justo: se o Augusto quer assumir a responsabilidade, a Débora devia, pelo menos, deixar ele participar. Primeiro cuida do funeral, o resto se resolve depois. Isso é o que importa agora!]

Eu li aqueles comentários oportunistas e só consegui achar tudo aquilo risível.

Eu respondi direto no Instagram, na própria postagem de Augusto:

[Você não é digno disso.]

Quanto ao funeral da minha mãe, eu decidi que tudo seria o mais simples possível.

Ela tinha passado vinte anos inteiros em coma. Antigos amigos e parentes já tinham se dispersado pelo mundo fazia tempo.

Naquela altura, as únicas pessoas que realmente sofriam por ela eram eu, os meus pais adotivos e meia dúzia de pessoas próximas.

Pra ela, não fazia o menor sentido organizar um espetáculo grandioso. Era muito mais digno escolher um cemitério tranquilo, silencioso, onde ela pudesse descansar em paz, longe do tumulto desse mundo.

A data do enterro ficou marcada pra três dias depois. Foi só quando eu fui conferir no calendário que eu percebi: aquele dia era exatamente o meu aniversário.

Mais de vinte anos antes, naquela mesma data, ela tinha suportado as dores do parto pra me colocar no mundo. E agora, mais de vinte anos depois, eu ia ser a pessoa a acompanhar ela até uma cova fria.

No dia do funeral, não choveu. O céu era de um cinza claro, opaco, como se estivesse coberto por um véu fino.

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