— E se essa criança for a filha dele? — Eu disse calmamente.
Cláudio arregalou os olhos de surpresa.
Logo em seguida, ele abaixou a voz e perguntou:
— Filha dele com quem? Com a Mônica?
Antes que eu pudesse responder, a porta foi aberta repentinamente. Augusto entrou com o rosto fechado, a expressão carregada de frieza.
Eu e Cláudio interrompemos nossa conversa imediatamente.
Cláudio colocou as mãos nos bolsos da calça, assumindo seu típico ar de playboy despreocupado, e disse, com um tom provocador:
— Quanto tempo, meu querido irmão.
Os olhos de Augusto, afiados como lâminas, se fixaram em Cláudio. A voz dele saiu baixa e ameaçadora:
— Por que você não fica quieto no exterior? Voltou para quê?
A relação entre Cláudio e Augusto sempre foi de conflito. Desde pequenos, os dois estavam constantemente em pé de guerra. É claro que Augusto sempre levava a melhor. Afinal, Cláudio era o filho ilegítimo, e sua performance acadêmica nunca se equiparava à de Augusto.
Além disso, o avô de Augusto e todo o restante da família Moretti nunca aceitaram Cláudio. Ele nem sequer tinha permissão para entrar na casa da família.
Nos tempos de escola, a mãe de Augusto, Fabiana, fazia questão de reforçar esse desprezo. Frequentemente, ela ia até a escola para causar escândalos, dizendo que Cláudio era um bastardo e que a mãe dele era uma amante sem vergonha.
Cláudio cresceu sob o peso de ser chamado de filho ilegítimo e encarando essas fofocas cruéis. Era óbvio que ele carregava muita mágoa dentro de si.
Mas agora, Cláudio não parecia intimidado por Augusto. Ele deu um sorriso desafiador e respondeu:
— A Cidade H é sua? Eu não fui deportado, então, por que não posso voltar? O vovô faleceu, e eu e minha mãe ainda não tivemos a chance de ir ao velório. Voltei para visitá-lo, só isso.
Augusto, com um tom gélido, disparou:
— Você e sua mãe não têm o direito de prestar homenagens ao meu avô. Lembre-se de qual é o seu lugar. Se decidiu voltar, faça isso discretamente. Não me obrigue a tomar medidas drásticas.
Eu ouvi as palavras arrogantes e ameaçadoras de Augusto e senti uma pontada de tristeza.
No passado, quando Augusto me defendia, ele também falava com Cláudio desse jeito. Na época, eu achava aquilo muito satisfatório.
Mas agora, depois de ser ameaçada e ignorada por Augusto tantas vezes, parecia que eu finalmente conseguia entender o que Cláudio sentia.
Eu não queria que Cláudio arrumasse problemas com Augusto por minha causa, então disse:
— Cláudio, é melhor você ir. Obrigada por me trazer de volta hoje.
Cláudio me olhou por um longo momento, seus olhos refletindo emoções difíceis de decifrar.
Logo depois, ele soltou uma risada leve e disse:
— Tudo bem, eu vou. Mas nosso segredinho... A gente fala sobre isso outra hora.
Ao sair, ele ainda piscou para mim, com aquele ar brincalhão de sempre.
Meu corpo entrou em um estado febril, alternando entre calafrios e calor intenso.
As enfermeiras colocaram cobertores sobre mim e aplicaram compressas frias na minha testa, mas eu ainda tremia de frio.
Naquele momento, pensei que realmente estava prestes a morrer.
No meio da confusão, senti como se estivesse sendo envolvida por algo quente. Um par de braços fortes me segurava enquanto uma voz reconfortante dizia:
— Débora, eu não vou deixar nada acontecer com você.
...
Enquanto estava inconsciente, sonhei com uma longa caminhada.
No sonho, o rosto jovem e radiante de Augusto estava iluminado por um sorriso caloroso. Ele segurava minha mão enquanto caminhávamos por um caminho interminável.
Mas, em determinado momento, ele soltou minha mão em uma encruzilhada e foi embora.
Eu corri atrás dele, sem parar, tentando alcançá-lo. Quando finalmente consegui segurá-lo, ele se virou.
Só que o rosto dele era o de um estranho.
Eu acordei de repente, assustada.
Meu corpo estava envolto nos braços de Augusto, e ele me segurava firmemente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Eu paguei pra le mais e nao foi liberado...
Poderia ser mais rápido e lançar mais capítulos por dia...
Quando vai lançar capítulos novos?...
Aí cara toda hora uma reviravolta mirabolante. Pelo amor de Deus, isso já deixou de ser um romance ou drama, parece que a autora só quer prender o leitor para lucrar em cima. Parece que toda a cidade odeia a Débora e só meia dúzia de gato pingado gosta da menina de verdade....
É só o meu ou o de vcs também estão faltando algumas falas ?...
Poxa 3 folhas por dia a autora solta 😔 Quem lê 3 folhas de um livro por dia?...
Autora libera esse divorcio logo, mete um litigioso ai, ta chato pra caramba essa briga de divorcio. Tudo vira empecilho entre Debora e Thiago, quando a autora consegue evoluir a relação dos dois, ela recua dois passos para trás....
Eu só espero o dia que Débora e Tiago finalmente ficarão juntos....
Qual é autora, dê um minuto de paz para a Débora, não é possível que um ser humano possa sofrer tanto assim... Não invente o arrependimento de Augusto para ele e Débora ficarem juntos no final, ele não merece, depois de tudo que fez, não merece mesmo!...
Cada reviravolta ferrando com a vida da Débora, sofro um mini infarto. Será que em algum momento o Augusto vai acordar, entender e aceitar que ele está errado? E quando ele vai enxergar quem de fato é a Mônica? Não dá pra entender se ele de fato a ama, ou a amou ou se ele é apenas um doente que acha que pode pegar tudo que quer. Outra coisa, motivo dele ter forjado a morte da própria filha, tirando da mãe e entregando a outra mulher nao teve nenhuma explicação pra isso... Se alguém entendeu me explique... Pq eu não entendi!...