Na manhã seguinte, o clima na mesa do café tinha ficado pesado de um jeito estranho.
Thiago estava sentado na minha frente, com os traços bonitos duros e frios, como se tivessem sido cobertos por uma camada fina de gelo.
Ele sempre tinha sido econômico nas palavras, mas, em dias normais, ele ainda respondia aqui e ali às brincadeiras da avó. Naquele dia, porém, ele só mantinha os olhos baixos, cortando a comida do prato de forma mecânica, rodeado por uma frieza que parecia afastar todo mundo.
No começo, Dona Joana não percebeu nada. Depois de tomar um gole de café, ela me lançou um sorriso alegre:
— Ah, é mesmo, Débora, que presente o Thiago te deu ontem? Anteontem eu já tinha visto ele mexendo numas caixinhas lá no escritório, todo misterioso, e ele não quis contar nem pra mim.
A mão com o garfo parou no ar por um instante. Na hora, a imagem de Thiago entrando no meu quarto na noite anterior veio à tona: eu tinha quase certeza de que ele segurava uma caixinha quadrada.
Antes que eu respondesse, Thiago largou faca e garfo sobre o prato. Quando ele falou, a voz dele saiu sem um pingo de calor:
— Vó, eu vou ter que viajar a trabalho pra cidade vizinha. Esses dias eu não vou dormir em casa. Se a senhora precisar de alguma coisa urgente, é só me ligar direto no meu celular.
Eu ergui os olhos para ele, mas ele desviou o olhar de propósito.
Eu entendi. Aquela história de viagem era mais desculpa do que compromisso. Ele só não queria cruzar comigo.
Então, eu, com a Laís e a Rafaela penduradas em mim, morando ali feito visita que não vai embora, na casa dos Ribeiro, ia virar o quê?
Eu devia mesmo esperar o dia em que ele fosse me mandar embora, na lata?
Antes que Dona Joana reagisse, eu respirei fundo, engoli o amargo na garganta e falei baixo:
— Vó, eu já tô aqui tem um tempo. As coisas de antes já acalmaram. Eu acho que tá na hora de eu levar a Laís e a Rafa de volta pra nossa casa.
No exato momento em que eu terminei a frase, a mão de Thiago, que segurava a colher de mexer o café, deu uma leve tremida. A colher de prata bateu na borda da xícara, fazendo um tilintar seco.
Foi só um segundo. Logo depois ele voltou ao mesmo ritmo calmo, mexendo o café como se nada tivesse acontecido.
A espuma girava no fundo da xícara, e o rosto dele continuava impassível, como se o que eu tivesse dito não tivesse importância nenhuma.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Cara, sinceramente... Estava amando a história... Mas a autora está enchendo muito linguiça... Uma história ficando sem fim e perdendo a essência... Está ficando longa demais, perdendo sentido e deixando a plataforma desacreditada. Último livro que leio....
Nao gasto nem mais 1€ com este livro...
A autora quer deixar augusto de bonzinho, mas não dá, ele é muito sem futuro....
A história fica meio enrolada,Mônica teve uma filha com o irmão da Débora,e Autora deixa a história no ar. Alice aparece e desaparece sem ter nenhuma fala dela Mae da Débora viva ,como assim? Quem realmente é a filha da Débora e Augusto, lais ou Rafaela? Que história mais enrolada....
esse livro esta parecendo mas uma história de tortura do que de romance, essa pobre da Débora não tem um minuto de sossego...
Tá bom de liberar mas episódios e manda augusto pra porra affff e desenrola Thiago e Débora...
AUTORA SOMOS UMA PIADA PARA VOCÊ? 🤡 Alguém demite essa mulher! QUE PALHAÇADA VIROU ESSE LIVRO. Anda 10 passos, volta 9🤡...
Nossa , ela vai voltar com o Augusto de novo .. nossa que chatisse tá virando isso...
Não serve pra ser aurora não, um chove não molha sem sentido nenhum...
Muito enrolado esse livro...