A garrafa ao lado dele já estava vazia. Ele tinha bebido tudo. A postura dele era claramente desajustada, decadente, mas, mesmo assim, ele ainda exalava aquele ar frio e inacessível de sempre.
Quando ele ouviu os meus passos, ele levantou a cabeça num tranco. O olhar que estava perdido se fixou em mim de uma vez.
Depois, ele se levantou cambaleando, e algumas gotas da bebida espirraram da taça.
Quando ele parou bem na minha frente, o cheiro de álcool misturado ao perfume de lavanda me fez franzir a testa na hora.
Antes que eu dissesse qualquer coisa, Augusto esticou a mão e segurou a minha. A palma dele queimava de quente.
Ele parecia uma criança exibindo um tesouro, com os olhos turvos de álcool brilhando em pontinhos, e a voz levemente trêmula, quase imperceptível:
— Débora, olha só. Eu passei dois dias inteiros aqui dentro e, finalmente, eu deixei tudo igual era antes. Cada pedido que tá nesses sinos é exatamente o que você escreveu na época. Tudo o que eu não consegui cumprir lá atrás, daqui pra frente eu vou realizar um por um pra você. Pode ser?
Eu tive que fazer força de verdade pra arrancar a minha mão da dele. Eu encarei o rosto dele, mantendo a voz firme:
— Augusto, já deu esse show, não acha?
Assim que eu terminei de falar, a luz que tinha nos olhos dele apagou na mesma hora.
Eu continuei, separando cada palavra:
— Com que direito você acha que meia dúzia de lembrança velha vai apagar o que você fez comigo? O que você me deve é uma vida.
Augusto ficou ali, imóvel, olhando direto pra mim. O olhar, enevoado pela bebida, tinha um brilho pesado de tristeza.
Parecia que ele não tinha entendido nada do que eu tinha dito. Ele se refugiou no próprio mundo e continuou, como se falasse sozinho:
— Débora, tudo que eu perdi, tudo que eu falhei com você, eu vou consertar aos poucos. A gente viveu tanta coisa aqui… Você realmente esqueceu de tudo?
— Débora, a gente tá te esperando lá fora.
A voz de Maria surgiu de repente na porta.
Quando eu me virei, eu vi Maria e Sérgio parados no alto da escada, com a preocupação escancarada no rosto.
Maria, morrendo de medo de o Augusto perder o controle e partir pra violência, piscava pra mim, fazendo sinal pra eu não cutucar ainda mais a fera. Ao mesmo tempo, ela mexia os lábios, sem som, pedindo pra eu dar um jeito de mandar ele embora.
Eu simplesmente fui até a cadeira de vime e me sentei, ouvindo o desabafo meio bêbado dele sem reagir. Tanto fazia. Mônica provavelmente já estava chegando.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Cara, sinceramente... Estava amando a história... Mas a autora está enchendo muito linguiça... Uma história ficando sem fim e perdendo a essência... Está ficando longa demais, perdendo sentido e deixando a plataforma desacreditada. Último livro que leio....
Nao gasto nem mais 1€ com este livro...
A autora quer deixar augusto de bonzinho, mas não dá, ele é muito sem futuro....
A história fica meio enrolada,Mônica teve uma filha com o irmão da Débora,e Autora deixa a história no ar. Alice aparece e desaparece sem ter nenhuma fala dela Mae da Débora viva ,como assim? Quem realmente é a filha da Débora e Augusto, lais ou Rafaela? Que história mais enrolada....
esse livro esta parecendo mas uma história de tortura do que de romance, essa pobre da Débora não tem um minuto de sossego...
Tá bom de liberar mas episódios e manda augusto pra porra affff e desenrola Thiago e Débora...
AUTORA SOMOS UMA PIADA PARA VOCÊ? 🤡 Alguém demite essa mulher! QUE PALHAÇADA VIROU ESSE LIVRO. Anda 10 passos, volta 9🤡...
Nossa , ela vai voltar com o Augusto de novo .. nossa que chatisse tá virando isso...
Não serve pra ser aurora não, um chove não molha sem sentido nenhum...
Muito enrolado esse livro...