Naquele momento, Augusto apareceu, puxando a Laís pela mão.
O rosto dele estava num esforço pra parecer doce, mas o olhar carregava um traço nítido de irritação.
— Débora, já está tarde. A gente tem que ir.
Enquanto falava, estendeu a mão, tentando segurar o meu pulso.
Eu recuei por instinto, fugindo do toque dele, e me virei para a Dona Joana. Eu me curvei levemente, com educação:
— Vó, então eu vou indo. A senhora também descansa cedo.
A Dona Joana lançou um olhar gelado para o Augusto e, em seguida, puxou a minha mão, apertando com força. A voz dela veio cheia de cuidado:
— Cuida de você. Se acontecer qualquer coisa, me liga na hora.
O Augusto, ao lado, ouviu aquilo com visível impaciência, mas ainda manteve a pose de cavalheiro. Só a voz dele carregava um veneno discreto:
— Pode ficar tranquila, Dona Joana. A Débora é minha esposa. Eu, obviamente, vou cuidar muito bem dela. Eu não vou dar chance nenhuma pra esses caras lá de fora que andam de olho nela.
Quando ouviu isso, a Dona Joana soltou uma risada curta, gelada, e rebateu sem o menor pudor:
— Tomara mesmo que você cumpra o que está falando. Só não vai ser daqueles que prometem o mundo e, na primeira esquina, esquecem tudo.
O rosto do Augusto endureceu por um segundo, mas ele não retrucou. Ele apenas apertou a mão da Laís e resmungou, apressando:
— Vamos.
Eu saí do salão atrás dele, em silêncio o caminho todo.
Quando nós já estávamos quase chegando ao carro, o Augusto parou de repente e murmurou, num tom morno, carregado de desdém:
— Que velha azeda. Com essa raiva toda, nessa idade, não deve durar muito.
— Augusto! — Eu girei o corpo num estalo, encarei ele com fúria e deixei a voz cortar o ar. — Olha o que você fala! Você está amaldiçoando uma senhora na frente da sua filha. Você não tem vergonha, não?
O rosto dele tremeu de leve. Ele abaixou os olhos para a Laís e falou com doçura ensaiada:
— Filha, o papai e a mamãe precisam conversar um pouquinho. Sobe no carro e espera a gente, tá bom?
A Laís já tinha percebido que o clima não estava bom. Assim que ela ouviu aquilo, ela correu e entrou no carro sem dizer nada.
...
No dia seguinte, na cafeteria, no meio da tarde, o sol atravessava a grande parede de vidro e deixava a pele da mulher sentada à janela ainda mais clara, quase fria, como porcelana.
A Alice olhava para o homem sério sentado à sua frente.
— Foi o Cláudio que mandou você vir?
A voz do Thiago saiu calma, reta:
— O Cláudio não sabe que eu vim falar com você.
Quando ouviu isso, a Alice soltou uma risadinha baixa, com um quê de ironia voltada pra ela mesma:
— Senhor Thiago, eu já tinha ouvido falar que você era bom no que faz. Agora eu tô vendo que é tudo verdade.
Ela levantou os olhos e encarou o Thiago. No brilho límpido do olhar dela havia algo difícil de definir:
— O Cláudio me escondeu tão bem, por tanto tempo… E mesmo assim você me achou. Então eu imagino que, sobre o que aconteceu entre mim e o Augusto no passado, e sobre o que me liga à Débora, você já saiba de tudo, né?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Dote??? Em que séculos estamos? Pra completar o bingo de horrores desse livro só faltou necrofilia......
Ah deu uma desanimada agora lendo os comentários E cheguei no capítulo 124 já com tantas pontas soltas esperando no final ia ter a grande revelação e pelo comentários aqui já vejo que não terá. Quando mais estava lendo sentia, um está parecendo uma história de enrolação. Esperando Augusto descobrir todas armações de Monica e implorar por Débora e parece que só piora...
No final vcs bloqueiam, não é, filhos do satã? Quanta esperteza.....
Gente eles não vão liberar grátis...
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...