Ela fez uma pausa e a voz dela veio carregada de frustração:
— Eu não fui ridícula? Eu sou só uma assalariada qualquer e mesmo assim eu ainda fico sonhando em subir de classe. Eu moro em Cidade H faz quase dez anos, rodei, rodei, e continuo sendo só uma pobre coitada que vive à mercê dos outros!
— Você não devia falar assim de você. — Eu me apressei em interromper. — Você já era da gerência intermediária na empresa, você chefiava projetos, você era melhor do que muita gente. Se é pra falar de gente na base da pirâmide, eu é que sou a verdadeira ralé.
A Eduarda revirou os olhos para mim, ainda com o choro engasgado:
— Para de tentar me animar! Antes você era madame, vivia cercada de luxo. Agora você está divorciada, mas você tem o Thiago pra te proteger. O que você entende da nossa realidade, de quem rala até o osso? Você não tem cara nenhuma de assalariada.
As palavras dela me fizeram lembrar, de repente, da proposta que o Thiago tinha feito: transformar o Grupo Lins e colocar a gestão nas minhas mãos.
Eu hesitei um pouco, organizei as ideias e perguntei, em tom de teste:
— Você nunca pensou… Em abrir o seu próprio negócio?
— Empreender? — A Eduarda levantou a cabeça na hora, com um brilho impulsivo no olhar, que logo se apagou. — Não é assim tão simples. Esses anos todos eu até juntei um dinheirinho, mas se eu colocar tudo num negócio, não vai dar nem pra fazer cócega no mercado. E, tirando trabalhar com mídia e correr atrás de notícia, eu não sei fazer mais nada. Eu ia empreender em quê?
Eu não contei pra ela, em detalhes, o plano de reestruturar o Grupo Lins, afinal, nem eu mesma tinha tomado uma decisão definitiva.
Mas eu ainda assim deixei escapar um pedaço:
— Na verdade, eu também andei pensando em empreender. Eu também só sei escrever matéria… E, de vez em quando, escrever umas outras coisas. Se você realmente tiver vontade, quando eu tirar esse plano do papel, eu chamo você pra vir comigo.
A Eduarda ficou me encarando, sem dizer nada por um bom tempo, até perguntar, bem devagarinho:
— Você está falando que… No futuro a gente ia ser dona do próprio negócio?
Eu assenti:
— Você mesma acabou de dizer que não quer mais bater ponto pros outros. Eu também quero tentar construir alguma coisa que seja realmente minha. Eu nunca mexi com essa parte de gestão, mas você tem uma mente rápida, você tem muito mais vivência de rua do que eu. Se nos juntarmos, talvez a gente consiga fazer algo de verdade.
Os olhos da Eduarda brilharam com um fio de esperança.
Eu abaixei a cabeça, apressei o ritmo e finalizei o texto que faltava, salvei tudo no sistema e então bati de leve no braço dela:
— Vamos. Eu vou te pagar um lanche da noite.
Ele se inclinou na minha direção, deixando a voz mais baixa e provocadora:
— Mesmo assim, não podia. Imagina se eu resolvo ser preguiçoso, não venho te buscar e, no meio do caminho, algum garotão bonito te leva embora? Aí, sim, eu saía no prejuízo.
Ele me arrancou uma risada. Eu levantei o rosto pra encará-lo:
— Eu não gosto de garotão, não. Eu só gosto de homem mais velho.
O olhar do Thiago escureceu na hora, ganhando um peso diferente. Os lábios finos dele chegaram tão perto da minha orelha que quase roçaram na minha pele quando ele sussurrou:
— Então me diz: o desempenho do seu homem mais velho ontem à noite… Te deixou satisfeita?
O meu rosto pegou fogo na mesma hora. Eu virei a cabeça pro lado, determinada a não soltar uma única palavra.
O Thiago soltou uma risada baixa, envolveu a minha cintura com o braço e murmurou:
— Então quer dizer que você não ficou satisfeita? Nesse caso, eu vou ter que me esforçar em dobro hoje à noite.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Dote??? Em que séculos estamos? Pra completar o bingo de horrores desse livro só faltou necrofilia......
Ah deu uma desanimada agora lendo os comentários E cheguei no capítulo 124 já com tantas pontas soltas esperando no final ia ter a grande revelação e pelo comentários aqui já vejo que não terá. Quando mais estava lendo sentia, um está parecendo uma história de enrolação. Esperando Augusto descobrir todas armações de Monica e implorar por Débora e parece que só piora...
No final vcs bloqueiam, não é, filhos do satã? Quanta esperteza.....
Gente eles não vão liberar grátis...
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...