Miguel Ylmaz
Meu coração parecia um tambor descontrolado enquanto segurava Anny nos braços. Ela estava desmaiada, frágil, mas viva. Era como se o peso dos últimos meses finalmente tivesse caído sobre mim, ao mesmo tempo em que uma nova responsabilidade nascia em meu peito. Eu a segurei com todo o cuidado, com medo de que qualquer movimento errado pudesse machucá-la.
— Verônica, dirija! Agora! — gritei, enquanto entrava no carro com Anny ainda em meus braços.
Verônica não hesitou. O motor rugiu, e o carro disparou pela estrada, deixando para trás o caos, as chamas e o grito final de Kemal. Não olhei para trás. Aquele inferno era o passado, e tudo o que importava estava nos meus braços.
— Anny, você vai ficar bem — murmurei, baixinho, mesmo sabendo que ela não podia me ouvir.
Seus cabelos caíam sobre o rosto, e eu os afastei delicadamente, observando sua respiração suave. Cada vez que ela inspirava, eu agradecia. Cada vez que ela expirava, meu coração se aliviava.
A viagem ao hospital foi um borrão. Verônica usava atalhos, desviava de veículos e cortava sinais vermelhos sem pestanejar. Quando chegamos, eu não esperei ninguém abrir a porta. Saí do carro com Anny nos braços e avancei até a entrada de emergência como um homem feroz.
— Preciso de ajuda! — gritei, minha voz ecoando no corredor branco.
Imediatamente, enfermeiros vieram ao meu encontro com uma maca. Relutante, a deitei, sentindo como se estivesse entregando um pedaço de mim mesmo.
— Ela desmaiou. Precisam cuidar dela agora!
— Senhor, precisamos que você se acalme. Vamos cuidar dela — disse uma enfermeira, mas sua voz parecia distante.
Eu observei enquanto eles a levavam para dentro, desaparecendo por trás de portas duplas. A espera começou.
O tempo parecia uma tortura. Minutos se transformaram em horas, cada segundo arrastando-se como uma eternidade. Sentei-me em uma cadeira, mas logo me levantei. Andei de um lado para o outro, com os punhos cerrados, lutando contra o medo que insistia em me consumir.
Mônica chegou algum tempo depois, acompanhada por Nagela.
— Alguma notícia? — perguntou Mônica, sua expressão séria, mas os olhos denunciando preocupação genuína.
— Nada ainda. — Minha voz era dura, mas trêmula.
Ela assentiu, cruzando os braços.
— Ela é forte, Miguel. Sobreviveu a Kemal, vai sobreviver a isso também.
Queria acreditar nela, mas até ver Anny acordada, nada seria suficiente para me acalmar.
Finalmente, as portas se abriram. Um médico saiu, ajustando os óculos e olhando ao redor.
— Sr. Ylmaz?
— Sou eu — respondi imediatamente, aproximando-me. — Como ela está?
— Acalme-se, por favor. Sua esposa está bem.
Por um momento, eu não corrigi a palavra "esposa". Talvez porque, no fundo, fosse exatamente isso que Anny representava para mim, mesmo que ainda não tivéssemos oficializado nada.
— Ela teve apenas uma queda de pressão, provavelmente causada pelo estresse e pela desidratação. Está descansando agora e pode receber visitas em breve.
Senti um peso enorme sair dos meus ombros, mas o médico ainda não havia terminado.
— Há mais uma coisa, Sr. Ylmaz. — Ele hesitou, como se avaliasse a melhor forma de dar a notícia. — Fizemos alguns exames e, bem, você sabia que ela está grávida?
O mundo parou.

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