Miguel Ylmaz
O dia começou como qualquer outro. Anny estava mais animada do que o normal, andando de um lado para o outro pela casa, ajustando os últimos detalhes do quarto de Lorenzo . O berço já estava montado, as roupas dobradas em pilhas perfeitas, e os brinquedos cuidadosamente organizados.
— Você sabe que ele nem vai notar tudo isso, não é? — brinquei, encostado no batente da porta enquanto observava ela se movimentar com a energia de quem estava prestes a fazer algo grandioso.
Ela me lançou um olhar de advertência, mas um sorriso brincava em seus lábios.
— Pode ser, mas quero que tudo esteja perfeito. É o mínimo que ele merece.
Mal sabíamos que aquele dia seria muito mais especial do que imaginávamos.
No meio da tarde, Anny soltou um suspiro profundo e colocou a mão na barriga.
— Miguel... acho que está acontecendo.
Meu coração quase parou.
— O quê? Como assim? Está sentindo alguma coisa? — Me aproximei dela em um instante, segurando sua mão.
— Acho que as contrações começaram.
Por um segundo, fiquei imóvel, mas logo a adrenalina tomou conta.
— Certo, vamos para o hospital. Agora.
Reuni tudo o que precisávamos e, em questão de minutos, estávamos a caminho. Anny estava calma, mas eu podia ver a mistura de ansiedade e emoção em seus olhos.
— Miguel, respire. — Ela segurou minha mão, mesmo enquanto outra contração vinha. — Vai dar tudo certo.
— Eu sei. Só quero que vocês dois estejam bem.
Assim que chegamos, fomos rapidamente atendidos. A equipe já estava preparada, e Anny foi levada para o quarto de pré-parto. Os médicos fizeram os exames iniciais e confirmaram: Lorenzo estava pronto para chegar ao mundo.
No corredor, enquanto esperava, ouvi vozes familiares.
— Miguel! — Leyla chamou, sua voz carregada de emoção.
Me virei e vi meus pais, Leyla e Ferman, se aproximando. Eles tinham voado assim que souberam que o grande momento tinha chegado. Minha mãe me puxou para um abraço apertado, enquanto meu pai deu um tapinha no meu ombro, sorrindo de maneira que eu raramente via.
— Finalmente vou conhecer meu neto — disse Leyla, com os olhos brilhando.
— Como ela está? — Ferman perguntou, sempre prático, mas com uma ternura que não conseguia esconder.
— Está bem. Só precisamos esperar agora.

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