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DEPOIS DO DIVÓRCIO romance Capítulo 5

O hospital tinha um cheiro de éter e finais inevitáveis. Eu estava ali, a poucos metros da minha mãe e do meu irmão, mas a distância entre nós não era medida em passos, e sim em abismos de silêncio e rancor.

Eu via o desespero de Maik, o modo como ele socava a parede e depois cobria o rosto com as mãos, destruído pela perda do homem que ele idolatrava.

Via minha mãe, Márcia, encolhida em uma cadeira, o rosto pálido e as mãos trêmulas. Meu coração gritava para que eu corresse até eles. Eu queria envolver Maik em um abraço de irmã mais velha, queria segurar a mão da minha mãe e dizer que, apesar de tudo, eu também estava sangrando.

Mas eu não era bem-vinda.

Cada vez que meus olhos encontravam os deles, eu sentia a repulsa.

Para eles, eu era a mancha na história da família, a intrusa que causara desgosto ao patriarca até o seu último suspiro.

Fiquei no canto, as costas encostadas na parede fria, sem conseguir derramar uma única lágrima.

Meus olhos estavam secos, petrificados por uma dor tão profunda que não cabia no choro. Eu sentia apenas um peso esmagador no peito, como se o meu corpo todo estivesse se transformando em chumbo.

Foi quando Ricardo chegou.

Ele não veio até mim primeiro.

Ele foi direto para a minha mãe. Vi quando ele a envolveu em um abraço firme e protetor.

Minha mãe sempre o amou, sempre o viu como o genro perfeito, mas não por minha causa. Ela o amava pelo que ele representava para Clarisse.

Era como se, ao abraçar Ricardo, ela estivesse abraçando a felicidade que eu, na cabeça dela, havia roubado da sua protegida.

Maik também foi consolado por ele.

Ricardo colocou a mão no ombro do meu irmão, murmurando palavras que eu nunca tive o direito de ouvir.

E eu continuei ali, invisível, um fantasma em meio aos vivos.

Me afastei para o fim do corredor, sentindo que meu corpo físico começava a doer sob a pressão da rejeição.

Eu não queria mais esperar por migalhas de conforto.

Estava cansada de ser a última opção, a nota de rodapé na vida de todos eles.

E então, ela entrou.

Clarisse atravessou o corredor como um furacão de desespero.

Sete anos não haviam diminuído sua beleza, apenas adicionado uma camada de drama que ela sabia usar perfeitamente.

— Meu pai, cadê meu pai!

— Clarisse, calma... O nosso pai, ele... Ele não resistiu.

— Não, não! Meu paizinho não Maik...

Ela se jogou nos braços do meu irmão.

— Clarisse...

Meus olhos arderam quando vi quem ela procurou para se consolar.

Ricardo a chamou pelo nome e ela se jogou nos braços dele.

capítulo 05 1

capítulo 05 2

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