Bárbara
Adorei o aniversário da minha amiga. A Melissa merece tudo que é de melhor nesse mundo, e meu mano está surpreendendo a todos. Quando ele falou que iria fazer a surpresa para ela trazendo sua mãe, eu mal acreditei. Afinal, dona Carmem mora bem distante, não dá para ir e voltar no mesmo dia. E quando ele disse que o Ricardo iria com ele, meu coração deu uma apertadinha. Ele ainda nem tinha ido, mas eu já sentia sua falta. Na boa, é muito estranho.
Aproveitei os dias em que ele esteve longe para pensar no que realmente quero da vida. Gente, eu sou louca, não liguem, tá bom? Mesmo tendo aquele bombom moreno encantador, ainda estou aqui na dúvida se vale a pena tentar ou se continuo com meu medo de quebrar a cara.
Estar com a Melissa é ótimo, mas penso que o jeitinho amoroso dela acaba me influenciando. Passei a noite em sua casa e falamos muito sobre o que eu quero. Na boa, como pode alguém ser tão indecisa assim? Nem eu mesma me entendo às vezes.
Mas, voltando à surpresa do meu mano, estou me sentindo tão bem por participar disso para ela. Ao mesmo tempo, me sinto tentada a contar, principalmente quando ela fala com sua mãe. Tadinha do meu chuchu, ela fica toda mexida quando fala com dona Carmem. Mas eu entendo. Ficar longe da família deve ser péssimo, ainda mais quando se é tão apegada como ela. E, vamos combinar, dona Carmem é um amor de pessoa. A Melissa puxou isso dela.
O aniversário da minha amiga foi perfeito, não poderia ter sido melhor. Meu mano, pela primeira vez, reuniu nossa família, e sem pensar duas vezes. É claro que faltou a esposa do meu papis, que é um amor de pessoa. Mas minha maior alegria foi ver minha mãe presente. Penso que esse foi o meu maior presente: vê-la tão envolvida com a família como está agora. Nunca senti na vida o que senti hoje, vendo meus pais no mesmo ambiente, em paz.
Convenci o Ricardo a irmos à balada hoje, já que não saímos esses dias. Pelo menos hoje ele está mais animado e aceitou de primeira.
(...)
Já na balada, entramos e fomos direto ao bar. Ricardo pediu uma Margarita, 3/5 de tequila, e outro Dry Martini, 5/6 de gin, para nós. Fomos para a pista de dança. Será que esse sem-vergonha quer me embebedar? Se for essa a intenção, já estou dentro! Penso que sou ainda mais louca bêbada, e hoje ele não me segura.
Lá encontramos Lennon e Cristal. Meu Deus, que orgulho de ver isso. Pelo menos essa mocreia saiu do pé do meu irmão. Mas sei que a pior ainda está por aí. Na boa, estou a ponto de colocar um fim na Renata, porque sou dessas que não aceita ver quem amo sendo ameaçado, como ela faz com a Mel e com meu mano. Sem falar no m@l que ela já fez para minha mãe.
Eu e Ricardo estamos dançando bem próximos. Ele vem por trás, pegando em minha cintura. Estamos frenéticos. Passo as mãos por dentro da sua camisa até que o puxo e o beijo, um beijo ardente, sedento de desejo. Ele segura abaixo dos meus cabelos, conduzindo o beijo. Estamos perto da parede, e ele me empurra contra ela, me apertando e se esfregando, fazendo com que eu sinta todo o seu corpo colado ao meu. Merda, já estou sem ar. Seu beijo me excitou antes da hora. Agora preciso lutar para me segurar e não fazer besteira aqui mesmo. Está difícil sentir esse corpo e não querer arrancar suas roupas.
“Calma, Bárbara, pelo amor de Deus, mulher. Não faça isso. Rsrs. Muita calma com essas mãos!” — falo para o meu subconsciente. Saio do nosso beijo, tentando não me descontrolar ali.
— Vou pegar outra bebida. — Sussurro em seu ouvido. Eu praticamente sequei o copo após o beijo dele.
— Nós vamos. Vem. — Ele fala divertido, pegando minha mão e me guiando até o bar.
“Merda, por que ele é tão apaixonante? Não podia ser um pouco grosso, enjoativo, feio ou qualquer outra coisa, não?”
— Qual você quer? — Ele pergunta perto do meu ouvido. A música está tão alta que mal conseguimos nos ouvir.
— A mesma da primeira. — Falo com voz rouca em seu ouvido. Ele percebeu minha intenção: te enlouquecer…
Ele pega a bebida, toma um pouco da minha e, em seguida, pega outra igual para ele. Agora sim. Nos aproximamos da Cristal e do Lennon. Eles estão se dando bem demais, nem percebem nossa aproximação, estão se pegando sem pensar no amanhã.
— Cuidado aí, hein. Agorinha vai ter que pegar o extintor de incêndio. — Praticamente grito perto deles. Lennon sorriu ao nos avistar e abraçou Cristal, colocando-a na frente dele. Sei bem o que ele deve estar tentando esconder ali embaixo. É mesmo um safado.
— Deixa eu beber dessa sua bebida, vai. — Cristal pede para mim, mas sei o quanto essa daí é fraca para bebidas, então deixei o alerta.
— Toma, só não vicia. É uma delícia, mas mais forte também. — Comento, entregando o copo. Realmente, o gosto é incrível, exatamente do jeito que gosto. Mas tenho evitado beber demais ultimamente, já que, por natureza, eu sou um furacão — com álcool, fico pior ainda.
— Aff, que delícia! Eu quero! Vou pegar um pra mim. — Cristal sorri animada, mas faço uma careta. Pelo jeito, ela está disposta a se acabar hoje.
— Foi o Ricardo que escolheu dessa vez. Já tinha bebido antes, mas ele me relembrou. Fazia tempo... É bom reviver certas coisas, né? — Comento, olhando para ele com um sorriso malicioso, que ele prontamente retribui.

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