Bárbara
Eu e Ricardo nos tornamos aquele grude que eu tanto temia. Haha! Meu Deus, como tudo mudou. Agora estamos morando juntos, e também o ajudo na empresa quando ele precisa. Foi a maneira que encontrei para aliviar um pouco a carga dele. Estar na presidência da ST não é nada fácil. Agora entendo bem o que é chegar em casa cansado e não querer saber de baladas. Ainda assim, mantemos nossos programinhas, saímos e cuidamos para que nosso relacionamento não caia na velha rotina que sempre desgasta os casais.
Sei que muitos devem estar pensando: “Finalmente a Bárbara criou juízo!” ou “Uhul, já estava passando da hora!” Pois bem, enganaram-se! Continuo sendo a mesma louca desaforada de sempre e não pretendo mudar isso, não. Até porque o meu boy magia adora as minhas loucuras. Sou implicante, indecente e, quem gosta, me atura. Quem não gosta… paciência!
Eu e o meu gato moreno estamos em viagem. Ai, que chato… Odeio essas viagens pela empresa, mas faço para ajudá-lo a não acumular tanto trabalho. Coitado, tem viajado muito, e, se eu ficasse em casa, mal nos veríamos. Ele tem passado mais tempo fora do que gostaria. Mas, confesso, não posso reclamar. Minha mãe tem ajudado bastante. Quando o Ricardo precisa desacelerar, ela e o Edu se encarregam de algumas viagens. Minha mãe voltou a ser aquela mulher saudável e cheia de energia de antes. E não há dúvidas de que o Edu tem feito maravilhas por ela.
Levantei pela manhã e percebi que o Ricardo não estava no quarto do hotel. Pelo visto, saiu cedo. Espreguicei-me e olhei para a tela do celular. Meu Deus, que avalanche de mensagens! Antes mesmo de desbloquear o celular, Ricardo entrou pela porta com uma linda cesta e balões em forma de coração.
— Parabéns, meu amor. Feliz aniversário! — Ele disse, dengoso, se aproximando. Meu Deus, hoje é meu aniversário? Nem me toquei. Mal sei que dia do mês é hoje. Vivo guiada por uma bússola interna e pelos dias da semana. Por isso, esqueço de datas com frequência.
— Ai, meu amor, que lindo! Nem me lembrava que ficava idosa hoje. — Dou-lhe um abraço carinhoso. Ricardo é sempre o mais amoroso do relacionamento. Eu sou aquela que traz o tempero, as emoções. Se dependesse dele, seríamos um casal água com açúcar diante das pessoas, mas só nós dois sabemos o quanto somos loucos juntos.
— Minha idosa mais gata e gostosa. — Ele disse, me enchendo de beijos. — Vamos embora hoje. — Olhei para ele surpresa.
— Sério? Não acredito! Não era para ficarmos aqui até sábado? Hoje ainda é quarta.
— Era, mas adiantei tudo. Vi o quanto você está precisando ir embora. A Melissa te faz muita falta. Tô até com ciúmes disso.
— Kkkk, ah, deixa de ser bobo, amor. Eu te amo, mas nada substitui as minhas conversas diárias com a minha amiga. Meu Deus, que falta ela me faz! Penso até em guardar aquela nanica na minha bolsa e roubá-la do meu mano toda vez que viajamos. — Sorri, enquanto Ricardo gargalhava.
— Vai ser uma briga de gigantes, hein, já que o Henry também não abre mão dela.
— Que embate, meu Deus. Deu até frio na barriga. — Abraço Ricardo e o puxo para se deitar comigo na cama. — Vou fazer uma surpresa para a Mel. Obrigada, amor, você é o melhor.
— Agora gostei. Quero uma surpresa também.
— Eu já te pedi em casamento. Não foi uma boa surpresa?
— Amor, isso não vale. Eu que tenho que te pedir, não o contrário.
— Você pediu, e eu me neguei. Depois eu te pedi e fiquei sem resposta. Isso já é um “não” para mim. Um NÃO, bem maiúsculo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do fim... Um recomeço para o CEO