João
Meu filho está muito desestabilizado, posso até dizer que está sem rumo. Ele me confidenciou o que aconteceu, e estou decidido a ajudá-lo a se reerguer. Quando passei pelos meus tombos na vida, tive quem me estendesse a mão, e hoje faço o mesmo por ele. Se ele e Melissa vão reatar ou não, essa será uma decisão deles. Mas vejo um problema que preciso administrar: minha filha Bárbara. Ela é um amor com Melissa, são super amigas, mas não acho certo ela querer “acabar” com o irmão da forma como tem feito. Odeio ver meus filhos brigados, e a irritação de Bárbara na casa da Melissa foi clara. Ela queria vir falar com Henry, e precisei pedir que não viesse. Uma coisa é ela querer o bem da amiga; outra, completamente diferente, é detonar o irmão toda vez que ele erra. Ela mesma não erra?
Sei que posso ajudar Henry, mas também sei que preciso frear a Bárbara. Não adianta nada ela ficar brigando com o irmão, isso só piora a situação e os afasta ainda mais. Amanhã, falarei com ela sobre suas atitudes e tentarei fazê-la enxergar que, às vezes, apoiar é mais importante do que criticar.
Levei minha neta para casa. Melissa estava com o semblante tranquilo, mas algo nos olhos dela entregava que havia algo incomodando.
— Filha, o que você tem? — perguntei, chamando-a de “filha,” como sempre faço. Para mim, ela é como uma filha. Essa moça já passou por tantas coisas que não merecia, praticamente sozinha, já que sua família é restrita à mãe e à filha. Não consigo deixar de admirar sua força.
— Nada, senhor João. Ainda tô meio lesada por causa da noite passada. O Henry comentou algo sobre o que aconteceu? — perguntou com uma expressão apreensiva.
— Só superficialmente. Ele não entrou em detalhes, sabe como é fechado para conversar. Mas está bem, dei alguns conselhos e acho que, a partir de agora, ele vai tentar se dar melhor com você. Ele prometeu mudanças. — Ela me deu um sorriso tímido, carregado de descrença.
— Só o senhor mesmo, é um pai maravilhoso. Quem me dera ter tido um pai como o senhor.
— Você tem. É minha filha do coração, e sempre será, independente do que acontecer. Você trouxe para nossa família o nosso maior tesouro. — Disse, olhando para Mia, que dormia tranquilamente no bebê conforto.
— Obrigada, senhor João. — Ela limpou os olhos, visivelmente emocionada. Dei um beijo em sua testa e a abracei.
— Se cuida, filha. Qualquer coisa, é só ligar.
— Obrigada. — Ela me acompanhou até o portão, e fui embora pensando em como essa jovem é especial. Tão nova, com tanto peso nos ombros, mas uma cabeça no lugar como poucas pessoas têm. Errar, todos erram. Que atire a primeira pedra quem nunca errou.
No dia seguinte...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do fim... Um recomeço para o CEO