Depois de um bom tempo, a voz de Aeliana soou suavemente, quebrando o silêncio da noite:
— Jocelino, quando vi o Sr. Wallace tomando aquele remédio hoje, eu fiquei com muito medo...
Embora todos dissessem que Aeliana tinha habilidades médicas soberbas, que era uma médica divina e que suas agulhas de prata resolviam tudo, ela tinha problemas que não conseguia resolver e pessoas que não conseguia salvar.
Como Flávia.
Como Wallace.
Jocelino apertou o braço ao redor dela, abraçando-a com mais força contra o peito, e apoiou o queixo levemente no topo da cabeça dela:
— Eu estou aqui. Por mais perigosa que seja a situação, enfrentaremos juntos.
— Quando o estado do Sr. Wallace e do vovô estiver estável, começaremos a preparar o casamento. Vamos deixar que ele veja com os próprios olhos você vestida de noiva, está bem? — Ele sentiu o corpo em seus braços se mover levemente.
— Hum...
— Mas.
A voz dela estava abafada:
— E se meu julgamento estiver errado? E se esse remédio, ao contrário...
— Não existe "e se".
Jocelino a interrompeu, com um tom gentil, mas inquestionável.
Ele baixou ligeiramente a cabeça, os lábios quase tocando a orelha dela, e falou ainda mais devagar:
— Aeliana, você se lembra do que disse uma vez?
— O quê? — Aeliana levantou a cabeça, confusa, olhando para Jocelino.
— Você disse uma vez que os médicos não são deuses e não podem garantir cem por cento de sucesso. Mas buscar fazer o melhor possível e ter a consciência limpa não é o maior princípio que vocês seguem na prática da medicina?
O corpo em seus braços estremeceu levemente.
Jocelino e Aeliana dormiram direto até o meio-dia do dia seguinte.
Quando a luz do sol entrou pelas frestas da cortina, Aeliana acordou quase num sobressalto. A primeira coisa que fez foi pegar o celular na cabeceira e ligar para a clínica.
Ao ouvir o relato do outro lado da linha de que Wallace tivera uma noite tranquila e sem nenhuma reação anormal, o coração dela, que estava na garganta, finalmente desceu, e ela soltou um longo suspiro de alívio.
— Como está o Sr. Wallace?
Jocelino acordara antes de Aeliana. Vendo que ela despertara, aproximou-se com duas xícaras de café e entregou-lhe uma, de onde subia um vapor suave.
Ele já estava vestido impecavelmente, sem um fio de cabelo fora do lugar, indicando que já havia se levantado para cuidar de alguns assuntos.
Dormir até aquela hora tinha sido restaurador para os dois, e o estado de espírito deles parecia visivelmente melhor do que no dia anterior.
— O Sr. Wallace está muito bem. Não houve nenhuma anomalia durante a noite toda, e ele ainda está dormindo.
— Nenhuma notícia é uma boa notícia. — Jocelino deu um tapinha no ombro ligeiramente frágil dela, com um gesto que transmitia força e conforto. — Vamos comer primeiro, depois eu te acompanho à clínica. Cancelei todos os meus compromissos de hoje para me dedicar a acompanhar vocês.

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