Aeliana ouvia com paciência, concordando vez ou outra, demonstrando um interesse perfeitamente medido pelo cotidiano do hospital.
Como esperado, a conversa logo desviou para os misteriosos pacientes VIPs do lugar.
Talvez por considerarem Aeliana uma pesquisadora visitante com um passado simples e de confiança, somado ao clima descontraído, as garotas começaram a falar abertamente.
Lidiane mordeu o canudo e olhou ao redor, abaixando a voz com a empolgação de quem compartilha um segredo.
— Ei, falando em VIP, vocês lembram daquela que ficou na suíte da cobertura? A tal da Vivian. Toda cheia de mistérios, apareceu umas duas vezes e depois sumiu.
Aeliana demonstrou a quantidade exata de surpresa e curiosidade:
— Vivian? Suíte da cobertura? Era alguma famosa? Acho que não ouvi falar dela desde que cheguei.
— Com certeza não era uma celebridade qualquer! — Arlete interrompeu imediatamente, também diminuindo o tom de voz. — Que famoso teria toda aquela pompa?
— Você chegou há pouco tempo, então não sabe. Nas primeiras duas vezes que ela veio, nossa, o diretor em pessoa desceu para recebê-la. Ela usava o elevador privativo direto para a cobertura. Tirando o diretor e a enfermeira-chefe, ninguém mais podia chegar perto. Depois, não sei o motivo, ela parou de vir.
— Parou de vir? Foi transferida? — Aeliana acompanhou o raciocínio, franzindo levemente a testa em confusão.
— Nada de transferência!
Nayane balançou a cabeça. Como era mais experiente, sabia de mais detalhes:
— O esquema mudou. Agora o diretor vai até a casa dela com a equipe médica.
— Ouvi dizer que o lugar onde ela mora é impressionante, fica naquele condomínio de luxo no topo da montanha. Toda vez que o diretor vai, precisa agendar e relatar com dias de antecedência, é uma burocracia sem fim.
Aeliana soltou um "uau" no momento certo, com um olhar de espanto na medida:
— Mansão na montanha? E o diretor ainda faz atendimento domiciliar? Nossa... que tipo de influência ela tem? Ela é uma pessoa acessível?
— Por fora, ela fala de forma educada, te chama de 'moça' ou 'senhorita enfermeira', mas o olhar e o tom de voz sempre dão a impressão de ser... falso, sabe? Como se fôssemos inferiores. Quando pedíamos para ela colaborar com os exames, se demorássemos um segundo a mais, ela já perdia a paciência. Mesmo que não xingasse na nossa cara, a expressão dela ficava terrível.
Arlete concordou, sentindo na pele:
— Isso mesmo! Lembro de uma vez que fui tirar sangue dela. Talvez tenha doído um pouquinho, e o olhar dela... foi congelante. Apesar de ela ter sorrido logo em seguida e dito 'não tem problema', senti um calafrio na espinha.
— E no fim, minha intuição estava certa. Assim que ela virou as costas, a advertência chegou para mim, e descontaram metade do meu salário daquele mês.
Arlete ficava indignada só de falar sobre isso. Afinal, tirar sangue sempre causa um certo desconforto. Ela tinha sido o mais cuidadosa possível, e mesmo assim acabou ofendendo a mulher.
Nayane acrescentou:
— Acho que a mudança para o atendimento em casa foi porque ela mesma se incomodava com a movimentação e os olhares do hospital.
— Mas ouvi dizer que em casa o temperamento dela não é nada fácil. A Maxine, que faz as visitas, contou uma vez que ela jogou a xícara na parede só porque o café não estava na temperatura ideal, fazendo a cuidadora chorar de medo. Mas, assim que o Sr. Marques aparece, ela muda na hora e passa a agir de forma contida e obediente.

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