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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1405

— Sr. Marques? — Aeliana repetiu, fingindo forçar a memória. — É aquele senhor... que parece bem rigoroso? Acho que uma vez vi de longe, lá no térreo, um homem cercado de seguranças. Não sei se era ele.

— Pode ser! — Lidiane se animou. — O Sr. Marques quase não aparece, mas sempre que vem, a presença dele é intimidadora. Até o diretor o trata com a maior reverência. Todos os planos de tratamento e medicações precisam da aprovação dele.

— A Vivian se controla bastante na frente dele, mas assim que o Sr. Marques vira as costas, ela volta a ser como antes. Parece... que tem duas caras.

Todas falaram uma por cima da outra, pintando o retrato de uma "Vivian" superficialmente educada, mas essencialmente arrogante, de pavio curto e que só baixava a guarda na presença de uma pessoa específica.

Aeliana escutava em silêncio, mas sua mente trabalhava a todo vapor.

Sim, essa era a verdadeira Amália.

Antes, na família Oliveira e diante de Marcelo Costa, ela precisava atuar como a garota gentil, bondosa e frágil, que nunca superava a herdeira verdadeira, tudo para conquistar simpatia e favoritismo.

Mas agora, com a ruína da família Costa e a dissolução da família Oliveira, ela havia retornado ao lado do seu suposto "pai biológico". Com o novo poder em mãos, não havia mais motivo para continuar com a farsa de mocinha indefesa.

Sua arrogância e crueldade, reprimidas por tanto tempo, provavelmente estavam se manifestando de forma ainda pior. Por trás daquela doçura falsa, havia alguém profundamente cruel — essa era sua verdadeira natureza.

Agora, trancafiada em uma mansão, apesar de todo o luxo material, a perda de liberdade e a depressão emocional, somadas aos desconfortos da gravidez, certamente tornaram seu temperamento ainda mais instável.

Quanto ao "Sr. Marques", era evidente que ele era quem a controlava. O fato de Amália ser obrigada a se conter na frente dele indicava que o homem era ou um braço-direito do seu pai biológico, ou até o próprio homem por trás de tudo, exercendo controle absoluto sobre ela.

O jantar terminou num clima leve. As garotas saíram muito satisfeitas após dividirem uma ótima refeição e boas fofocas, encarando tudo apenas como uma divertida confraternização entre colegas.

Aeliana despediu-se delas com um sorriso.

Só quando se afastou do restaurante, com a brisa noturna batendo em seu rosto, é que o sorriso gentil em seus olhos se desfez lentamente, transformando-se num brilho frio e perspicaz.

Leonardo...

Vivian...

Jocelino não se moveu.

— A Sra. Saramago não disse que ia me levar a um hotel para falarmos de negócios? Isso aqui não me parece muito com um hotel.

Diante do questionamento de Jocelino, Fabíola não perdeu a pose em momento algum.

— Meus amigos decidiram mudar o local de última hora. Vamos conversar aqui.

— O que tem de tão bom em conversar num hotel? O jogo que rola aqui é muito mais interessante do que beber chá e discutir fornecedores. Por quê?

— O Sr. Porto está com medo?

Enquanto falava, o olhar analítico de Fabíola varreu Jocelino de cima a baixo, tentando encontrar algum sinal de pânico, ansiedade ou ganância em seu rosto.

E foi exatamente como ele previra.

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