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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1406

Aquele novo rico vindo de Altavista, Narciso Porto, ao ouvir isso, exibiu no rosto o desconforto e o nervosismo que ela já esperava.

Narciso hesitou no lugar, esfregando as mãos:

— Sra. Saramago, não é que eu esteja com medo, mas tínhamos combinado que íamos para um hotel.

— Prometi à minha mulher que não frequentaria mais lugares assim. Se eles souberem, meu sogro e ela com certeza vão ficar furiosos comigo de novo.

— O Sr. Porto não acha que já é um pouco tarde para falar isso? — Fabíola disse num tom carregado de ironia.

— Sr. Porto, na Vila das Nuvens Cinzentas, se você quer expandir seus negócios, apenas se curvar e concordar com tudo não é o suficiente. Aqui é o lugar que verdadeiramente testa a visão e a sorte de um homem.

— Quem sabe, se estiver com sorte hoje, pode acabar ganhando mais dinheiro do que se fechasse dez contratos.

Ela não deu tempo para Jocelino dar mais "desculpas", virou as costas e entrou, certa de que ele não teria coragem de ficar para trás.

Uma expressão de conflito cruzou o rosto de Narciso. No fim, como se tivesse desistido de resistir ou temesse desagradar Fabíola, bateu o pé no chão e a seguiu, resmungando em voz baixa.

— Ah, já que estou aqui... vamos ver como são as coisas...

Ao entrarem no cassino, o interior revelou-se um verdadeiro universo à parte.

A decoração era extravagante. O barulho das conversas não era ensurdecedor, mas cada mesa de jogo estava cercada por clientes com as mais variadas expressões, e o movimento das fichas carregava um silencioso ar de campo de batalha.

O ar estava impregnado com uma mistura de charutos, perfumes caros e aquela atmosfera típica de um lugar onde muito dinheiro circulava.

Fabíola parecia conhecer o lugar como a palma da mão, sendo guiada com respeito por um garçom pelo caminho.

Ela conduziu Jocelino diretamente para uma mesa de Blackjack.

A atmosfera ao redor daquela mesa estava consideravelmente tensa.

Um homem de meia-idade, careca e de rosto ríspido, vestindo uma camisa estampada e uma grossa corrente de ouro no pescoço, estava sentado no centro com uma expressão sombria. Suas fichas já estavam quase no fim.

— Mas a Sra. Saramago chegou em boa hora. Todo mundo aqui sabe que ela é o seu amuleto da sorte. Tendo ela do seu lado, quem sabe você não recupera tudo na próxima rodada?

Fabíola apenas sorriu, sem responder. Em vez disso, lançou um olhar para Narciso, que a seguia com aquele ar "encolhido".

De repente, ela abriu a boca, num tom baixo, mas suficiente para que todos na mesa pudessem ouvir.

— Sr. Porto, no País A, você deve ter visto muitas cenas como esta, não é? Venha cá, ajude o Sr. Soberano a dar uma olhada. Como ele deve jogar essa mão?

Com isso, ela empurrou Jocelino diretamente para o centro das atenções.

Por um lado, queria vê-lo passar vergonha; por outro, queria aproveitar a chance para medir o verdadeiro valor daquele "Narciso".

Se fosse mesmo um inútil fazendo papel de bobo, seria a oportunidade perfeita para esmagar a audácia com que ele a havia "contrariado" lá fora.

Mas, se ele realmente tivesse alguma habilidade... então valeria a pena investir um pouco mais do seu tempo nele.

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