Além do mais, a intenção dela ao trazer “Narciso” hoje era apenas testá-lo e usá-lo, sem nunca planejar um rompimento total com Ricardo a ponto de chegarem às vias de fato.
Pelo menos não agora, e não dessa maneira.
Se o Sr. Soberano realmente avançasse, a situação sairia completamente do controle. Ela acabaria sendo arrastada para o meio da confusão, e os prejuízos superariam qualquer benefício.
Ela não podia deixar que ele fizesse um escândalo.
Enquanto esses pensamentos passavam como um raio por sua mente, o Sr. Soberano se virou bruscamente, prestes a atacar Ricardo.
A reação de Fabíola foi extremamente rápida. Quase no mesmo instante, ela deu um passo à frente e agarrou firmemente o braço do Sr. Soberano. Naturalmente, sua força não se comparava à dele, mas seu status falava mais alto. O Sr. Soberano não ousaria agredi-la de verdade, limitando-se a estufar o pescoço, ofegante.
— Sr. Soberano, acalme-se!
Fabíola abaixou o tom de voz e alertou:
— Aqui é o território da família Porto! Pense bem no que vai fazer!
— Se você armar uma confusão, não vai sair ganhando.
— Merda! E eu vou deixar que eles me depenem de graça?
Os olhos do Sr. Soberano estavam vermelhos. Perder dinheiro era irrelevante; ser feito de palhaço em público era a verdadeira humilhação.
— E quem disse que você vai sair no prejuízo?
Fabíola soltou o braço dele e ergueu o queixo em direção a Jocelino.
— Eu vou fazer com que ele recupere o seu orgulho e o seu dinheiro.
O Sr. Soberano seguiu o olhar dela e, ao ver a postura medrosa de “Narciso”, sentiu a raiva aumentar ainda mais.
— Só ele?
— Sra. Saramago, você não está brincando comigo, está?
O Sr. Soberano estava cheio de dúvidas.
Agora há pouco, no Blackjack, aquele moleque deu sorte de principiante e bagunçou um pouco as coisas, mas naquele jogo ainda havia algum espaço para contar cartas e usar estratégia.
Ele realmente achava que Fabíola pegaria qualquer um na rua só para fazer número?
Aquele tal de Narciso era estranhamente peculiar.
Fabíola fixou um olhar profundo e enigmático em Narciso.
O sujeito parecia tolo, como se não soubesse de nada, mas por algum motivo, todas as vezes, ele conseguia tropeçar cegamente no sucesso, arruinando os planos do adversário com uma precisão impecável.
Era como... como se ele soubesse exatamente qual seria o próximo passo do oponente.
Uma vez era coincidência, mas e duas, ou três vezes?
O jogo de dados dependia do crupiê, sem dúvida, mas o crupiê também era humano. Sempre havia técnicas e hábitos na hora de rolar os dados. Ricardo e o crupiê achavam que a vitória estava no papo, então certamente abaixariam a guarda. E esse Narciso... quem sabe pudesse causar mais um “imprevisto” inimaginável.
Fabíola estreitou os olhos.
Por que não arriscar?
Se perdesse, seria apenas um pouco de dinheiro e prestígio, algo que ela, Fabíola, podia muito bem suportar. Mas, se por acaso ele vencesse... então hoje Ricardo passaria a maior vergonha da vida dele.

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