Então o cassino da família deles nunca mais poderia abrir as portas.
E, quando isso acontecesse, não seria apenas o Sr. Ricardo, mas também o pai dele, Ziraldo, que teria a reputação destruída. Poderiam até enfrentar processos judiciais, e seu pai seria capaz de arrancar o couro dele. Ele não podia arcar com essas consequências.
De jeito nenhum aquele caipira poderia abrir o copo.
A mente de Ricardo trabalhou a mil por hora e, em um piscar de olhos, ele tomou uma decisão.
Ele forçou um sorriso para Jocelino, Sr. Soberano e os convidados ao redor, um sorriso mais feio do que se estivesse chorando, e disse secamente:
— Inspecionar o quê! Que palhaçada!
— O cassino da família Porto funciona aqui na Vila das Nuvens Cinzentas há muitos anos, e sempre fomos transparentes e honestos com todos!
— Sr. Porto, você não tem prova nenhuma e está nos acusando de trapacear sem o menor fundamento!
— Isso é um insulto à reputação da família Porto!
Quanto mais Ricardo falava, mais exaltado ficava, como se tivesse sofrido uma injustiça tremenda, tentando assumir uma postura moral superior para inverter a situação e intimidar o adversário.
Vendo que Jocelino continuava segurando o pulso do crupiê e Sr. Soberano o encarava, sem a menor intenção de recuar, Ricardo sabia que não podia prolongar o impasse. Ele sacudiu o braço bruscamente.
— Acho que não há mais motivo para continuarmos com essa rodada hoje.
— Toda a nossa diversão foi arruinada por pessoas com más intenções!
Ricardo fez um gesto brusco, fingindo que ia embora, e, antes de sair, lançou um olhar significativo e feroz para Fabíola e Jocelino.
— Não vou mais jogar! Que azar!
— Não vai jogar?
Ao ouvir isso, Sr. Soberano explodiu imediatamente:
— Ricardo! O que diabos você quer dizer com isso? Perdeu e quer fugir? E como fica a humilhação que eu engoli hoje? O dinheiro que você me roubou, as brincadeirinhas que fez comigo, vai ficar por isso mesmo?
Ricardo parou de andar e virou-se. O sorriso falso em seu rosto não conseguia mais se sustentar. Ele olhou para Sr. Soberano e, em seguida, lançou um olhar gélido para Jocelino e Fabíola, com um tom sombrio.
— Sr. Soberano, não é bem assim.
— Se não fosse por algumas pessoas que trouxeram de propósito um caipira intrometido para causar confusão, dizendo absurdos e fazendo falsas acusações, a gente não teria chegado a esse clima tão desagradável, não acha?
O peito de Sr. Soberano subia e descia violentamente, deixando claro que não engoliria aquilo tão fácil.
O dobro das fichas?
Quanta generosidade.
Por acaso Sr. Soberano parecia alguém que precisava daquele pouco de dinheiro?
O que ele queria era respeito. Justiça.
Porém, Ricardo não lhe deu a chance de falar. Levantou a mão para sinalizar a um de seus subordinados que trouxesse as fichas, empurrou-as na direção de Sr. Soberano e, sem nem olhar para Jocelino, caminhou diretamente para a saída do cassino.
Ao passar por Fabíola, ele parou, virou a cabeça e disse em um tom que só os dois podiam ouvir:
— Fabíola, parabéns.
Ele quase trincava os dentes ao pronunciar as palavras.
— Para agradar a um homem qualquer que saiu sabe-se lá de onde, você me desrespeitou desse jeito, fez de tudo para me prejudicar.

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