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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1432

Com a mente agora clara, Edivaldo olhou para a irmã, que ainda estava emburrada. A frieza e o olhar calculista de antes haviam sumido, sendo substituídos por um traço quase imperceptível de arrependimento.

— Fabíola... — Ele começou, com a voz bem mais suave.

— Ah, agora você sabe meu nome?

Fabíola o interrompeu rudemente, com os belos olhos arregalados de indignação.

— Edivaldo, eu entendo que você seja cauteloso e tenha medo de que tentem prejudicar a família Saramago. Mas você precisava agir assim?

— Sem nem investigar as coisas direito, você já pensa o pior dos outros e afasta as pessoas com meias palavras!

— Agora pronto! O homem foi embora morrendo de raiva, você está satisfeito? Quero ver onde você vai encontrar outro idiota rico, cheio de habilidades e fácil de enganar como ele!

Quanto mais Fabíola falava, mais irritada ficava. Só de lembrar de todo o sacrifício que fez para tentar trazer “Narciso” para o lado deles — aguentando as respostas atravessadas dele no começo, acompanhando-o no cassino e até comprando briga com Ricardo — apenas para ver o irmão arruinar tudo com duas frases, uma sensação de injustiça tomou conta dela.

Diante da enxurrada de reclamações da irmã, Edivaldo sentiu o rosto queimar de vergonha. Ele suspirou, e sua voz saiu carregada de frustração.

— Fabíola, não é questão de ser paranoico.

— Você não faz ideia do que eu tenho passado desde que nosso pai permitiu que aquele “senhor” brasileiro começasse a dar ordens nos assuntos do grupo, especialmente desde que o projeto de expansão do cassino saiu do papel.

Ao mencionar o “brasileiro”, Edivaldo franziu a testa, e um lampejo de repulsa e apreensão brilhou em seus olhos.

— Aquele homem vive com uma máscara o tempo todo, cercado de mistérios. Fala e age de um jeito macabro e nos trata como se não fôssemos nada.

Aliás, o surgimento daquele homem misterioso havia sido algo extremamente repentino. De uma hora para a outra, ele simplesmente apareceu na Vila das Nuvens Cinzentas.

— Fabíola, você também sabe que, embora a família Saramago pareça imponente por fora, nós temos perdido força desde que Patrick se foi.

— Eu só estou preocupado.

O tom de voz de Edivaldo baixou, revelando um medo escondido:

— Nosso pai está completamente enfeitiçado por aquele brasileiro, e grande parte do grupo já está sob o controle dele. Se as coisas continuarem assim, quem pode garantir se o Grupo Saramago continuará pertencendo aos Saramago ou a algum outro desconhecido?

— A pressão em cima de mim tem sido imensa nos últimos tempos, por isso acabei vendo inimigos em todos os lugares, achando que qualquer um poderia ser um espião enviado por ele ou alguém com segundas intenções.

Apesar de ser mimada e orgulhosa, Fabíola reconhecia o peso que o irmão vinha carregando nos ombros ultimamente.

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