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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1489

— Quero ver de perto qual é a real situação do negócio para entender melhor onde estou pisando. Só assim vou saber em que pontos vale a pena investir e quanto colocar. Não acha, Sr. Sousa?

O Sr. Sousa ficou sem palavras.

Os músculos do rosto dele deram um leve espasmo, e toda a conversa fiada que vinha despejando morreu no meio da garganta.

Os livros contábeis?

Isso... isso definitivamente não estava nos planos dele.

Afinal, livros contábeis não eram algo que se mostrava assim, a qualquer um.

Além disso, Jocelino Barreto tinha acabado de assumir o controle, e ele não havia sido avisado com antecedência. Havia muitas pontas soltas nas contas, ainda sem maquiagem suficiente.

Quando Jocelino exigiu ver os registros de repente, o Sr. Sousa sentiu o sangue gelar.

— Sr. Porto, isso... não está sendo um pouco repentino demais?

— O senhor sabe que a visita de hoje foi em cima da hora, e eu não recebi nenhum aviso. O setor financeiro ainda não terminou de organizar tudo.

— Que tal esperarmos mais um pouco?

— Assim que eles finalizarem, eu aviso o senhor para dar uma olhada.

O Sr. Sousa tentava desconversar, enquanto o suor voltava a brotar em sua testa.

— Ora, Sr. Sousa, por que está dizendo isso?

Jocelino mantinha o sorriso, mas seu olhar era glacial.

— Eu sou o chefe daqui agora. Dar uma olhada nos livros do meu próprio negócio e entender como está a operação não me parece nada demais. Ou será que... há alguma coisa nesses registros que eu não deva ver?

O tom dele continuava educado, mas a insinuação por trás das palavras fez o coração do Sr. Sousa disparar.

Aquele novo chefe não parecia ser tão simples assim.

No fim, depois de tentar empurrar com a barriga de todas as formas e não encontrar uma desculpa razoável, o Sr. Sousa, gaguejando, não teve outra escolha senão trazer os livros contábeis dos últimos dois anos e colocá-los diante de Jocelino.

Jocelino não demonstrou pressa. Sentou-se no escritório do gerente e começou a folhear os documentos com calma, página por página.

Que bela jogada da Srta. Saramago. Ela havia calculado tudo com precisão.

Jocelino pousou o livro com suavidade sobre a mesa, ergueu o olhar e encarou o Sr. Sousa, que já estava ensopado de suor ao lado dele. Sem alterar a expressão, fez apenas uma pergunta, num tom ameno:

— Sr. Sousa, deu muito trabalho... falsificar essas contas?

A pergunta saiu leve, com o rosto impassível, mas, aos ouvidos do Sr. Sousa, soou como um trovão caindo bem ao seu lado.

O sorriso em sua cara congelou na mesma hora. O suor que ele acabara de enxugar voltou a escorrer em abundância pela testa, e a camisa já estava molhada nas costas.

— Sr. Porto... o que o senhor quer dizer com isso?

O Sr. Sousa soltou uma risada seca, desviando o olhar e tentando se fazer de desentendido.

— Tem alguma coisa errada com os registros?

— Eu... fiz tudo dentro das normas. O setor financeiro tem comprovante de cada transação. É que, ultimamente, o movimento caiu muito, há muita coisa para resolver no dia a dia, então talvez alguns detalhes não tenham sido lançados com tanta precisão...

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