Quando chegasse a hora, o lugar de esposa oficial naturalmente seria dela.
Esse pensamento atravessou rapidamente os cantos mais sombrios do seu coração, fazendo com que um traço involuntário de prazer cruel brilhasse em seus olhos. Mas ela logo o encobriu com um olhar ainda mais sedutor.
O que precisava fazer agora era fazê-lo baixar a guarda, dissipar suas preocupações, convencê-lo de que ela era inofensiva e até digna de pena, para que, aos poucos, ele entrasse na teia que havia tecido.
— Então, Sr. Porto, você realmente não precisa se sentir pressionado.
— Me dê uma chance. Nós... podemos começar como amigos, ir com calma. O que acha?
Fabíola acreditava que, depois de ter se rebaixado até aquele ponto, Jocelino já não teria como rejeitá-la de novo.
Mas Jocelino havia percebido claramente a malícia que brilhou por um instante no olhar dela. Sabia muito bem que ela estava tramando contra Aeliana, e o frio em seu peito só aumentou.
Aquela Fabíola não era apenas arrogante; sua mente era incrivelmente perversa.
O rosto dele escureceu por completo, e sua voz saiu tão fria quanto gelo:
— Impossível.
Narciso respondeu sem deixar espaço para dúvidas:
— A única pessoa que eu amo é a minha esposa. Eu não vou me casar com outra mulher e jamais vou traí-la.
O rosto de Fabíola empalideceu.
— Você está mesmo decidido a me rejeitar?
Jocelino soltou um suspiro, como se não conseguisse entender por que ela insistia tanto.
— Sra. Saramago, você é jovem, bonita e tem uma família de prestígio. Merece um parceiro muito melhor. Por que desperdiçar tempo com um homem casado como eu?
— De qualquer forma, eu jamais trairei a minha esposa.
Ele observou o rosto de Fabíola, que agora alternava entre o vermelho e o roxo de raiva, e não lhe deu mais chance de continuar. Levantou a mão num gesto claro de dispensa, e seu tom foi frio e definitivo.
Fabíola cravou os dedos nas palmas das mãos com tanta força que as unhas perfeitamente feitas quase se quebraram. Elas afundaram na carne macia, provocando uma dor aguda.
Mas essa dor não a trouxe de volta à razão. Pelo contrário, funcionou como combustível para a torrente de emoções violentas dentro dela.
Humilhação, vergonha, ressentimento, possessividade e um desejo ainda maior de destruição borbulhavam em seu peito.
Ah...
Narciso...
Ela repetiu aquele nome mentalmente, com os dentes cerrados.
Como você ousa... me tratar assim?
Desde pequena, sempre foi ela quem rejeitou os outros. Em que momento alguém se atreveu a rejeitá-la?
Quanto mais ele resistia, quanto mais demonstrava aquele amor absoluto pela sua “esposa doentia”, mais isso despertava nela o mais extremo desejo de conquista... e de destruição.

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