A vergonha e a raiva intensas a fizeram perder completamente a compostura.
— Você acha que, só porque está preso agora, eu não posso fazer nada contra você?
— Pois fique sabendo que eu já mandei investigar essa sua suposta “esposa”!
— O nome dela é Aeliana, não é?
— Pode me esperar!
— Quando eu a encontrar, vou fazer vocês dois pagarem caro por isso!
— Eu vou fazer vocês...
— Srta. Saramago.
Jocelino falou de repente, interrompendo-a.
Sua voz não era alta e soava até mais calma do que antes, mas aqueles olhos, que até então estavam tranquilos, esfriaram no instante em que Fabíola mencionou Aeliana.
Como um poço de água gelada, o olhar afiado dele perfurou Fabíola, fazendo com que o restante de suas palavras ficasse preso na garganta.
Ele, que até então estava sentado, levantou-se lentamente e caminhou até as grades, encarando Fabíola através do metal.
Jocelino era muito mais alto do que ela. Mesmo atrás das grades, ainda transmitia uma sensação opressiva de superioridade.
— Não sei do que você está falando.
Ele falou devagar, com cada palavra saindo clara e gélida.
— Eu e minha esposa sempre agimos com dignidade. Somos inocentes do começo ao fim. Já a família Saramago...
Ele fez uma pausa, e os cantos da boca se ergueram num sorriso sutil, carregado de sarcasmo.
— A senhorita sabia muito bem que eu era casado e, ainda assim, insistiu em se insinuar várias vezes, chegando até a querer me arrastar para dentro da sua família Saramago.
— Esse tipo de comportamento, de se atirar em cima de um homem casado, não parece exatamente coisa de uma família respeitável, não é?
— Pelo visto, a educação da família Saramago vai só até aí.
Na sala de monitoramento, do lado de fora das celas, alguns policiais de plantão trocaram olhares curiosos.


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