A vergonha e a raiva intensas a fizeram perder completamente a compostura.
— Você acha que, só porque está preso agora, eu não posso fazer nada contra você?
— Pois fique sabendo que eu já mandei investigar essa sua suposta “esposa”!
— O nome dela é Aeliana, não é?
— Pode me esperar!
— Quando eu a encontrar, vou fazer vocês dois pagarem caro por isso!
— Eu vou fazer vocês...
— Srta. Saramago.
Jocelino falou de repente, interrompendo-a.
Sua voz não era alta e soava até mais calma do que antes, mas aqueles olhos, que até então estavam tranquilos, esfriaram no instante em que Fabíola mencionou Aeliana.
Como um poço de água gelada, o olhar afiado dele perfurou Fabíola, fazendo com que o restante de suas palavras ficasse preso na garganta.
Ele, que até então estava sentado, levantou-se lentamente e caminhou até as grades, encarando Fabíola através do metal.
Jocelino era muito mais alto do que ela. Mesmo atrás das grades, ainda transmitia uma sensação opressiva de superioridade.
— Não sei do que você está falando.
Ele falou devagar, com cada palavra saindo clara e gélida.
— Eu e minha esposa sempre agimos com dignidade. Somos inocentes do começo ao fim. Já a família Saramago...
Ele fez uma pausa, e os cantos da boca se ergueram num sorriso sutil, carregado de sarcasmo.
— A senhorita sabia muito bem que eu era casado e, ainda assim, insistiu em se insinuar várias vezes, chegando até a querer me arrastar para dentro da sua família Saramago.
— Esse tipo de comportamento, de se atirar em cima de um homem casado, não parece exatamente coisa de uma família respeitável, não é?
— Pelo visto, a educação da família Saramago vai só até aí.
Na sala de monitoramento, do lado de fora das celas, alguns policiais de plantão trocaram olhares curiosos.
Quem diria que a Srta. Fabíola, além de sair em desvantagem, ainda teria seus segredos expostos por tão poucas palavras do homem?
Do jeito que as coisas iam, ela provavelmente perderia a cabeça de vez e tentaria agredi-lo.
Se ela realmente batesse num suspeito dentro da delegacia, o que aconteceria se a notícia vazasse?
Já seria difícil se explicar para a família Saramago — e pior ainda para o Sr. Marques.
E, como se seus pensamentos tivessem se materializado, no instante seguinte o Sr. Almeida viu Fabíola, completamente fora de si por causa da provocação de Jocelino, erguer a mão através das grades na tentativa de estapeá-lo.
O Sr. Almeida quase morreu de susto. Esquecendo qualquer protocolo, correu até lá junto com dois subordinados.
— Srta. Saramago! Pare com isso! Pare agora!
O Sr. Almeida gritou enquanto corria, juntando forças com os dois policiais para conter Fabíola a qualquer custo.
Fabíola se debatia, tentando avançar para arranhar Jocelino.
No instante em que ela ergueu a mão, o olhar de Jocelino esfriou de repente. Ele inclinou ligeiramente o corpo e se esquivou daquele ataque desajeitado.

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